Os mercados dos Estados Unidos parecem calmos, com ações perto de recordes e títulos em patamares estáveis, mas há sinais de nervosismo dos investidores ligados à inteligência artificial, segundo análise do jornalista David Goldman publicada nesta terça-feira (27) pela CNN Brasil. A Nasdaq acumulava queda de 6% em duas semanas.
Em 22 de outubro, o S&P 500 ponderado pelo valor de mercado caiu 1,2%, enquanto a versão de ponderação igualitária subiu 0,5%. De acordo com James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics, essa divergência só havia ocorrido duas vezes desde 1995: em 14 de abril de 1999 e em 30 de março de 2000.
Dinheiro sai da tecnologia e vai para os títulos
No mesmo dia, segundo o texto, o rendimento do Treasury de 10 anos caiu abaixo de 5%, a maior queda em um único dia desde 10 de março de 2023, data do colapso do Silicon Valley Bank. Investidores retiraram recursos da tecnologia e os direcionaram a Treasuries e a ações de outros setores em ritmo histórico.
Os títulos públicos americanos também sofrem pressão de outras frentes, de acordo com a reportagem. A guerra com o Irã provocou alta da inflação, com petróleo e combustíveis mais caros. A dívida dos EUA chegou a US$ 40 trilhões, e o déficit orçamentário saltou para US$ 2 trilhões no último ano fiscal.
Onde a conta da IA pesa
A infraestrutura necessária para a IA custa cerca de US$ 1 trilhão por ano, e as big techs captam grandes volumes por meio de títulos, o que as coloca em disputa com a dívida do governo americano, segundo a CNN. A CoreWeave, empresa que aluga poder computacional e se financia com dívida, viu seu custo de empréstimo chegar a 15% no início do mês, acima da taxa de retorno dos investimentos que faz.
A reportagem cita o Wall Street Journal para dizer que o rascunho do pedido de IPO da Anthropic mostrou prejuízo de quase US$ 81 bilhões no primeiro semestre de 2026. A Meta gastou US$ 2 bilhões a mais em caixa do que gerou no terceiro trimestre, e suas ações caíram 7% na quinta-feira. Há ainda questionamentos sobre esquemas de financiamento circular entre empresas de tecnologia.
Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US, disse que a volatilidade elevada ocorre em torno de algo que, nas palavras dele, parece e se comporta como uma bolha. Reilly ponderou que, mesmo que a bolha da IA estoure, a economia não necessariamente afundaria junto, porque cada bolha tem características próprias. Economistas descrevem a fase atual como uma recessão rotativa, em que alguns setores prosperam enquanto outros entram em colapso.
Refúgio no dólar e o risco depois das eleições americanas
Com o nervosismo, investidores buscam segurança no dólar e nos Treasuries, que voltaram a ser populares, segundo o artigo. A CNN afirma que não está claro quanto tempo vai durar o esfriamento da IA e que a guerra no Irã, a inflação e a dívida podem piorar. Donald Trump sinalizou que a guerra deve ganhar novo impulso depois das eleições de meio de mandato nos EUA.



