O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) classificou nesta sexta-feira (18) como "quase um teatro" a recente sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o escândalo do Banco Master e cobrou mandato de oito anos para ministros da Corte. A fala veio no debate promovido pelo portal Metrópoles, pelo podcast Inteligência Ltda e pela plataforma G4, em São Paulo, com Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP).
Cury associou o pedido de vista do ministro Flávio Dino ao risco de arquivar a crise. "O que aconteceu esses dias foi quase um teatro, e o Flávio Dino pediu vista, e mais uma vez nós vamos colocar debaixo do tapete os grandes problemas da nação", disse. O escritor também pediu reforma do Judiciário, investigação de "ministros corruptos" e limite de oito anos no cargo na Suprema Corte.
Zema endureceu o tom e disse que o STF virou "balcão de negócios" e "Tribunal da corrupção", citando negócios atribuídos a ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro. O candidato do Novo também atacou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), a quem chamou de "acovardado" por travar votação de impeachment de ministros.
No bloco final, Cury e Zema miraram o reajuste do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, anunciado a 17 dias do primeiro turno. Zema chamou a medida de "atitude eleitoreira" e "demagogia". Cury, perguntado sobre o tema, reforçou críticas ao uso eleitoral de políticas sociais e à concentração de poder no Executivo, que classificou, ao lado da reeleição e do desequilíbrio entre Poderes, como "cânceres".
O encontro ficou esvaziado: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não compareceram, e Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) desistiram nos últimos dias. Samara Martins concentrou intervenções em educação e violência contra mulheres. A disputa segue a duas semanas do primeiro turno, com a crise do Master e do STF no centro da campanha.



