quinta-feira, 17 de setembro de 2026 · Edição diária

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Dino manda a PF apurar o Master nos cemitérios de SP e veda mirar Mendonça

Ministro do STF vê indícios de crimes em financiamentos de R$ 78 milhões do Master a concessionária do Grupo Maya e limita inquérito da PF longe de André Mendonça.

Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal
Flávio Dino (STF) mandou a PF apurar operações do Master com cemitérios de SP e vedou mira em André Mendonça. Foto: CanalGov / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal apure possíveis crimes nas operações do Banco Master com concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo. A decisão aponta um adensamento de indícios e manda o material ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Segundo G1, Metrópoles, Folha e Congresso em Foco, o despacho cita financiamentos de R$ 78 milhões do Master à Cemitérios e Crematórios SP, ligada ao Grupo Maya. Empresas do conglomerado de Daniel Vorcaro aparecem como titulares fiduciárias das ações dadas em garantia, com poderes sobre decisões societárias da concessionária.

Dino inclui o Grupo Maya na fiscalização prioritária já determinada sobre as concessionárias e deu 15 dias à Comissão de Valores Mobiliários para levantar dados sobre fundos, a Cemitérios e Crematórios SP e vínculos com o Master. O inquérito deve ficar limitado ao banco, às empresas e, eventualmente, a agentes dos Poderes Executivo e Legislativo paulistas.

Na mesma peça, o ministro veda expressamente qualquer ato da PF que possa atingir André Mendonça. Segundo Dino, providência contra ministro do STF cabe exclusivamente ao presidente da Corte, Edson Fachin, e ao colegiado. Ele renovou a ciência a Fachin por haver alusão à atuação funcional de Mendonça no processo.

O caso tramita na ADPF 1.196, sobre concessão de cemitérios, crematórios e serviços funerários na capital paulista. Na terça (15), Dino já havia enviado a Fachin informações sobre um encontro de Mendonça com Vorcaro em 14 de março de 2025, um dia antes do pedido de vista que suspendeu o julgamento da cautelar.

A nova ordem da quinta amplia o foco para a relação financeira Master-Maya e mantém Mendonça fora do alcance direto da PF neste inquérito. O aparelho institucional do STF segue sob tensão enquanto a crise do caso Master divide a Corte e alimenta a disputa política da campanha de 2026.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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