O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tomou duas decisões nesta quinta-feira (17) em meio à crise interna da Corte: cancelou a sessão extraordinária do plenário marcada para hoje e retirou de pauta o julgamento sobre a atuação do ministro André Mendonça no caso Banco Master, previsto para 23 de setembro.
No despacho que tirou o caso da pauta, Fachin apontou discussões pendentes com impacto direto no processo. Citou a tramitação conjunta com o procedimento sobre Alexandre de Moraes e questionamentos sobre a própria relatoria. Sem data nova, o julgamento de Mendonça fica para redesignação futura.
A retirada ocorre dois dias depois da sessão tumultuada de terça (15). Naquele dia, o plenário travou na questão de ordem sobre reunir ou separar os casos de Moraes e Mendonça. O placar parcial estava em 4 a 3 pela tramitação separada quando Flávio Dino pediu vista, com prazo que pode chegar a 90 dias.
Fachin também cancelou o plenário desta quinta sem detalhar o motivo na assessoria do STF. A medida veio após novo atrito público entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Gilmar classificou o colega de "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral"; Mendonça rebateu em nota e pediu código de ética para a Corte.
É a terceira sessão plenária cancelada pela presidência em duas semanas no auge da crise Master. A pauta de hoje incluía temas como reajuste de planos de saúde para idosos e tributação de incentivos fiscais estaduais, todos adiados junto com o julgamento de Mendonça.
Bastidores do tribunal já avaliavam difícil manter o dia 23 enquanto a questão de ordem e a vista de Dino não forem resolvidas. Fachin havia marcado a análise de Mendonça em rito separado do de Moraes; a ala alinhada a Moraes pressiona pela reunião dos procedimentos.



