O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal lhe entregue também um HD com os dados brutos do celular de Daniel Vorcaro. O material é o mesmo que a PF já repassou, em 14 de setembro, aos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
Segundo o Poder360, o gabinete de Mendonça tinha uma versão do HD lacrada, mas, depois que colegas exigiram cópia integral, o relator pediu a íntegra das informações brutas. CNN e Metrópoles confirmaram que Mendonça e Luiz Fux solicitaram à PF o acesso ao mesmo conteúdo entregue a Zanin e Gilmar.
Na guerra de ofícios que antecedeu a sessão de terça (15) sobre Moraes, Zanin tentou obter os dados diretamente com Mendonça. O relator respondeu que o material necessário já estava disponível e que abrir a íntegra do celular serviria só para tumultuar o julgamento. Pouco depois, a PF disse a Edson Fachin que tinha condições técnicas de fornecer cópias idênticas sem quebrar a cadeia de custódia.
Após o envio aos colegas, vazaram conversas de Vorcaro com menções a Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, e ao ministro Kassio Nunes Marques. Na manhã desta quinta (17), Gilmar Mendes atacou publicamente Fux e Mendonça, acusando-os de ajuste prévio na decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.
Mendonça rebateu em nota: afirmou que nunca ameaçou colegas nem transformou o plenário em palanque, e pediu um código de ética para a Corte. A disputa pelo celular de Vorcaro segue no centro da crise do STF, horas depois de Fachin cancelar a sessão desta quinta e adiar o julgamento sobre a atuação do próprio Mendonça no caso Master.
O aparelho original permanece sob custódia da PF. A cópia pedida agora cobre os dados brutos já compartilhados com Moraes, Gilmar e Zanin, e amplia o acesso do relator e de Fux ao mesmo conjunto que alimentou a ofensiva dos colegas antes do plenário de terça.



