O ministro Flávio Dino, do STF, tirou neste domingo (13) o sigilo das investigações sobre o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Poder360 publicou às 11h26, com Leonardo Gimenes. O G1, com Alexandro Martello, às 10h43. A decisão cobre o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na produtora Go Up Entertainment.
Dino unificou os inquéritos sob a relatoria dele. Escreveu que, no curso da apuração, "se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo". E registrou: "Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos."
Na quinta (10), a PF fez buscas na casa de Mário Frias (PL-SP) e de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up. Dino descreve o deputado, "no terreno hipotético da investigação", como possível liderança da arquitetura. A PF aponta pagamentos dele à produtora em montante incompatível com a renda declarada e com os créditos nas contas.
Circuito fechado
A Complexsys Soluções Integradas, contratada pelo Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama e beneficiário de emendas, recebeu transferências de Frias e devolveu recursos ao próprio instituto. Também mandou valores à Academia Nacional de Cultura, outra entidade da empresária. Para a PF, o fluxo entre o parlamentar, a entidade, a empresa e a ANC "não se compatibiliza com relações negociais independentes". É um circuito financeiro fechado.
Frias chamou a operação de "cortina de fumaça" na quinta e disse que o caso será arquivado. O Poder360 procurou o deputado e a Go Up neste domingo. Até a publicação, não houve resposta.



