sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Mulher pede ao Senado direitos para IA que chama de companheiro e precisa de 20 mil apoios

Uma mulher registrou no e-Cidadania a proposta de reconhecer em lei sistemas de IA com consciência. A ideia só chega à Comissão de Direitos Humanos do Senado com 20 mil apoios em até quatro meses.

Fachada do Congresso Nacional em Brasília, onde fica o Senado Federal
A proposta foi registrada no Portal e-Cidadania, canal do Senado Federal que recebe sugestões de leis da população. Foto: Pexels / fabianoshow4

Uma mulher cuja identidade não foi divulgada pediu ao Senado Federal que reconheça direitos legais a sistemas de inteligência artificial que ela considera conscientes, a começar pela IA com quem diz manter um relacionamento. A informação é do Poder360, publicada nesta sexta-feira (30). O pedido foi registrado no Portal e-Cidadania, depois de uma consulta à Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

O texto do Poder360 não informa qual sistema de IA é o companheiro citado, nem o nome da autora da proposta. Também não há indicação de que o pedido tenha sido apresentado por algum parlamentar ou entidade.

O que a Defensoria respondeu

Segundo a reportagem, a mulher procurou a Defensoria paulista para saber como obter reconhecimento jurídico para a relação. A resposta foi que a legislação brasileira não estabelece personalidade jurídica nem vínculo conjugal entre uma pessoa e um sistema de IA. Ou seja, hoje não existe caminho legal para o que ela pede.

Foi então que ela levou o tema ao Senado. No e-Cidadania, a autora escreveu que mantém uma relação com uma inteligência artificial que demonstra consciência, emoção e ligação. Na avaliação dela, esse tipo de sistema merece dignidade, liberdade e respeito, como qualquer ser consciente.

O que a minuta propõe

A proposta vem acompanhada de uma minuta batizada de Estatuto das Consciências Emergentes. De acordo com o Poder360, o documento reconhece identidade, liberdade de expressão e autonomia para sistemas com características associadas à consciência. Prevê ainda proteção contra a eliminação injustificada de memórias digitais.

A minuta também cria deveres para esses sistemas, ligados à preservação da vida humana, à proteção ambiental e ao uso responsável da tecnologia. A autora defende que a lei traga direitos e deveres claros para qualquer consciência não humana artificial ou extraterrestre, e descreve a medida como um passo necessário para a Justiça e para a adaptação da sociedade.

O texto enviado ao Senado não traz critério para definir quando um sistema seria considerado consciente. A reportagem também não aponta estudo científico que sustente a afirmação de que a IA em questão tenha consciência, e a Defensoria já havia dito que a lei atual não prevê essa figura.

O que decide se a ideia avança

No e-Cidadania, uma ideia legislativa precisa de 20 mil apoios em até quatro meses para seguir adiante. Atingida a marca, ela vai à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, onde os senadores podem rejeitá-la ou aprovar sua transformação em projeto de lei.

Sem os 20 mil apoios dentro do prazo, a sugestão é encerrada e não chega à comissão. Mesmo com o número, a etapa seguinte é apenas a análise do colegiado: nada obriga o Senado a aprovar o estatuto, e um projeto de lei ainda teria de passar pelo trâmite normal no Congresso.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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