quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

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Discord desliga lives e vídeo no Brasil para cumprir ordem da ANPD

Autoridade deu prazo até 17 de agosto para a suspensão preventiva após caso de violência contra adolescente em Naviraí (MS); texto e áudio seguem no ar.

Homem usando smartphone
A ANPD citou “evidências robustas” de que a plataforma não adotou medidas razoáveis para proteger crianças e adolescentes. Foto: Pexels

Desde a noite de segunda-feira (17), usuários brasileiros do Discord não conseguem iniciar transmissões ao vivo nem compartilhar vídeo. A plataforma desativou os recursos para cumprir determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que fixou aquele dia como prazo final para a suspensão preventiva. “Em cumprimento à determinação da ANPD, suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil”, informou a empresa. Texto e áudio permanecem disponíveis.

O caso

A medida foi motivada pelo suicídio de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. A investigação apontou transmissão ao vivo de violência e coação de menores por meio da plataforma, num episódio que autoridades descreveram como “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas”. Para a ANPD, havia “evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos” a crianças e adolescentes.

Por que a ANPD, e não o Judiciário

É a primeira vez que a autoridade de proteção de dados usa seu poder de medida preventiva para desligar uma funcionalidade inteira de uma grande plataforma no país. O precedente importa: até aqui, suspensões desse tipo vinham de decisões judiciais — como a do STF no caso do X, em 2024. A ANPD, criada pela LGPD, passa a se posicionar como reguladora de fato do comportamento das plataformas em relação a menores, num momento em que a legislação sobre o tema avança no Congresso e nos tribunais.

O que vem a seguir

O Discord afirma estar em diálogo com a ANPD para restabelecer as transmissões de vídeo aos usuários brasileiros. Não há prazo. Para o mercado de plataformas, a mensagem é clara: a ausência de um marco legal de IA e de regras consolidadas para redes sociais não significa vácuo regulatório — significa que reguladores setoriais e a Justiça Eleitoral vão preencher o espaço, caso a caso.

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Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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