segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

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Dólar cai 4,5% e abre abaixo de R$ 5 após Flávio ficar à frente de Lula no 1º turno

A moeda americana recuou até 4,52% e tocou R$ 4,974 na mínima da manhã desta segunda-feira, depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o 1º turno com cerca de 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula (PT).

Notas de real e de dólar sobre uma mesa
O dólar à vista foi negociado a R$ 4,98 na manhã desta segunda-feira (5), primeiro pregão após o 1º turno da eleição presidencial. Foto: Unknown photographerUnknown photographer / Wikimedia Commons (Public domain)

O dólar abriu a segunda-feira (5) em queda de mais de 4% e passou a ser negociado abaixo de R$ 5, depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno da eleição presidencial à frente de Lula (PT), contrariando a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final. Segundo o Poder360, a moeda caiu 4,52% às 9h35, a R$ 4,98, e marcou a mínima do início do dia em R$ 4,974. Às 9h09, de acordo com o InfoMoney, o dólar à vista valia R$ 4,985, com recuo de 4,44%.

No mercado futuro, o contrato de novembro era negociado a R$ 5,023, queda de 4,38%, segundo o InfoMoney. A Exame informou que o contrato futuro do Ibovespa subia 8%, apontando para níveis acima de 200 mil pontos, e que o EWZ, fundo negociado em Nova York que replica ações brasileiras, avançava mais de 10% no pré-mercado.

O resultado que virou o preço do câmbio

Com 99,8% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,1% dos votos válidos e Lula, 45,1%, conforme a Exame. O Poder360 e o InfoMoney trazem números ligeiramente diferentes, 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula, o que resulta em vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o candidato do PL. A diferença entre as contagens decorre do momento da apuração em que cada veículo fechou o texto.

A Exame calculou que Flávio superou em mais de 4 pontos percentuais a média das pesquisas reunidas pelo Goldman Sachs. Esse descolamento ajuda a explicar a dimensão do movimento: o mercado vinha precificando uma disputa mais favorável a Lula e precisou refazer as contas em poucas horas.

O voto de Flávio se concentrou nos maiores colégios eleitorais do Sudeste. Em São Paulo, ele teve 51,9%, contra 38,2% de Lula. No Rio de Janeiro, foram 53% a 39,4%. Em Minas Gerais, a vantagem foi menor: 48,3% a 43,2%. A abstenção ficou em 21,1%, ante 20,9% em 2022.

Onde o dólar pode parar, segundo o JP Morgan

A Exame ouviu a projeção do JP Morgan, que espera um teste do patamar de R$ 5,00 e a possibilidade de avanço para R$ 4,95 ou R$ 4,80. A fonte não informa o prazo dessa trajetória, e as demais matérias lidas não trazem previsões de outras instituições.

O Poder360 atribui a queda à leitura de investidores de que o resultado indica um deslocamento do quadro político para a direita. A matéria do InfoMoney, por sua vez, registra as falas dos dois candidatos após a apuração: Flávio disse que o resultado decreta o fim da era PT e prometeu acabar com a reeleição se vencer, e Lula afirmou que começará de imediato uma nova campanha para virar a votação.

Os números que o mercado testa até 25 de outubro

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, o que dá ao câmbio três semanas para confirmar ou devolver a queda desta segunda-feira. Os votos de quem ficou fora da disputa entram nessa conta: Augusto Cury teve 2,9%, Renan Santos, 2,3%, e Ronaldo Caiado, 2,2%, segundo a Exame.

Para o consumidor e para as empresas, o efeito prático de um dólar abaixo de R$ 5 passa por importados, insumos e dívidas em moeda estrangeira, que ficam mais baratos em reais enquanto a cotação se mantiver. O movimento, porém, foi registrado nas primeiras horas do pregão e depende de a vantagem de Flávio se sustentar nas pesquisas do 2º turno.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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