quarta-feira, 7 de outubro de 2026 · Edição diária

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Durigan diz que superávit de 1,5% do PIB da direita não é crível e questiona euforia do mercado

Em evento da Abrainc, o ministro da Fazenda afirmou que a promessa de superávit de 1,5% do PIB não é crível e disse ter dificuldade para entender a reação positiva dos ativos depois do 1º turno.

Dario Durigan, ministro da Fazenda
Dario Durigan, ministro da Fazenda, falou nesta quarta-feira (7) em evento da Abrainc, em São Paulo. Foto: Pexels / Ivo Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (7) que a promessa de um superávit de 1,5% do PIB feita pela direita não é crível, segundo o InfoMoney. A declaração foi dada em evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o 9º Incorpora Abrainc, voltado ao setor da construção.

Durigan também disse ter dificuldade para entender a euforia do mercado financeiro depois do primeiro turno das eleições. Na avaliação dele, a reação dos ativos se apoia mais em expectativa do que em fatos. De acordo com o Valor Econômico, o ministro participou do encontro de forma remota e disse que a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro vende "pastel de vento", sem mostrar como chegaria aos resultados que promete.

A meta de superávit e a crítica ao plano da oposição

O ministro tratou a meta de 1,5% do PIB como uma promessa que cada um compra se quiser. Segundo ele, o discurso não vem acompanhado da explicação sobre onde sairia o dinheiro. Durigan também acusou o governo anterior de ter feito, nas palavras da reportagem do InfoMoney, "maluquice" com as contas públicas, ao ampliar gastos sem indicar a origem dos recursos.

O Valor registra que a fala foi direcionada à campanha de Flávio Bolsonaro. Já o InfoMoney, no corpo do texto, não cita o candidato diretamente e se refere à oposição como a direita.

O balanço que o ministro apresenta

Para sustentar a defesa do governo Lula, Durigan comparou números das duas gestões. Afirmou que a inflação atual é a mais baixa entre todos os governos e que, na comparação dos dados, a administração atual não perde para a anterior.

O ministro disse ainda que não houve rebaixamento da nota de crédito do país no governo Lula e que o risco-país caiu, enquanto teria subido na gestão anterior. Também lembrou que foi este governo que desonerou a folha de pagamento. Os números que embasam essas comparações não foram detalhados na reportagem.

Durigan não poupou o próprio campo de recados. Disse que o país precisa de responsabilidade fiscal e de muito trabalho, e que é preciso rever a taxa de juros e adotar uma política fiscal crível. A Selic, hoje em 13,75% depois do corte do Copom, é um dos pontos que pesam sobre as contas do governo.

O que está em jogo para o mercado e para o setor

A declaração chega com o segundo turno em andamento e com investidores observando qual das candidaturas terá maior capacidade de entregar equilíbrio fiscal. A reportagem do InfoMoney não traz dados de Ibovespa ou dólar para medir a reação do mercado, e o ministro não citou números sobre o movimento dos ativos.

Para quem decide investimento, a discussão tem efeito direto: a meta de superávit define o espaço para juros mais baixos, e o ministro, ao falar para incorporadoras, ligou a credibilidade fiscal à possibilidade de rever a taxa de juros. Setores como o imobiliário, que dependem de crédito, acompanham essa conta de perto.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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