O núcleo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma reformulação no momento em que o petista disputa o quarto mandato. Segundo o O Globo, a dinâmica da campanha e investigações da Polícia Federal que atingiram aliados forçaram mudanças e reequilibraram as forças no entorno do Planalto.
O grupo com maior ligação ao presidente passou a ser formado pelo presidente do PT e coordenador do comitê de reeleição, Edinho Silva; pelo ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo; pelo ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social); e por Paulo Okamotto, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo. Também se reaproximaram o tesoureiro José de Filippi Júnior e Gilberto Carvalho, responsável pela agenda.
Conversas com Edinho e mensagem sobre o STF
Lula mantém conversas de rotina com Edinho sobre cenário e conjuntura. Em uma delas, na quarta-feira, trataram da crise no Supremo Tribunal Federal. Na saída, o presidente do PT gravou um vídeo em que afirma que "ninguém está acima da lei", tom que Lula passou a adotar em falas públicas sobre o assunto.
A formulação das mensagens passa por Sidônio, que continua no governo e influencia a campanha via o marqueteiro Raul Rabelo. Okamotto é descrito por interlocutores como alguém que "fala de igual para igual" com Lula: organiza logística, mobilização e reuniões semanais com o presidente.
Blindagem após a mira da PF
Do outro lado, Lula se distanciou de aliados que entraram na mira da PF. O senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo de busca e apreensão no inquérito das fraudes do Banco Master, deixou a liderança do governo no Senado e o convívio mais próximo, dedicado à própria campanha à reeleição. Amigo de Lula há mais de 40 anos, Wagner deixou de integrar o círculo íntimo.
Na mesma linha, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola — ex-chefe de gabinete e assessor próximo nos últimos 11 anos — saiu da campanha após mensagens revelarem repasses da lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de tráfico de influência. Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT e ex-ministra, também não está no entorno: abriu mão do primeiro escalão para disputar o Senado no Paraná a pedido de Lula, e perdeu o canal direto que tinha no terceiro mandato.
Economia e evangélicos
Na área econômica, Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), além de Aloizio Mercadante no BNDES, são as referências citadas pelo jornal. Durigan virou interlocutor junto ao empresariado após ruídos com falas de José Sergio Gabrielli na formulação do plano de governo. No campo religioso, Gilberto Carvalho e a primeira-dama Janja tentam aproximar Lula dos evangélicos, segmento em que a Quaest aponta Flávio Bolsonaro com 39% contra 26% de Lula.



