Marcos Paulo Sanchez, CTO da Exame, afirmou em coluna publicada em 31 de outubro que a empresa já tem um agente de IA conduzindo a venda de cursos de extensão e outro responsável por cerca de 80% das atividades de cobrança. Os números são do próprio executivo e não foram auditados por terceiros. Sanchez escreveu o texto depois de receber, em 29 de outubro, em São Paulo, o Innovation Leader Award Brasil 2026.
Segundo ele, o trabalho de transformar a Exame numa empresa que chama de AI Driven começou em dezembro de 2024. A organização reúne uma redação jornalística e uma escola de negócios, com processos e culturas diferentes. Para Sanchez, ter acesso a ferramentas como o ChatGPT não basta: a empresa só é AI Driven quando a IA entra na forma como se decide, se desenvolve produto e se atende o cliente.
Onde os agentes já trabalham
Na operação de conteúdo, o CTO descreve agentes que identificam tendências e sugerem pautas às editorias. Ele afirma que os sistemas apoiam os jornalistas, mas não assumem a responsabilidade editorial. Na publicidade programática, a IA ajuda a analisar tráfego e a identificar acessos feitos por bots.
No comercial, o agente de vendas atende o cliente desde o primeiro contato até o encaminhamento para a compra do curso de extensão. Na cobrança, o outro agente resolve cerca de 80% das atividades e passa para uma pessoa os casos que pedem análise ou negociação. Sanchez também diz que a engenharia de software usa Cursor e Claude em análise, implementação, testes e documentação, e que a equipe de UX/UI prototipa e valida interfaces antes de enviá-las ao desenvolvimento.
Para concentrar o acesso, a Exame criou o ADA, plataforma corporativa que reúne vários modelos de IA. Pedidos de outras ferramentas passam pela equipe de Tecnologia e por um Comitê de IA, que avalia segurança, privacidade, integração, custo e benefício. O objetivo, de acordo com o executivo, é evitar o Shadow AI, o uso de ferramentas sem conhecimento da empresa. Ele conta que, no início, havia funcionários com receio de usar IA e que hoje a adoção cresceu a ponto de exigir monitoramento do cumprimento das regras.
1,2 milhão de acessos diários de robôs
Sanchez cita um levantamento da Ranqia segundo o qual a Exame é o segundo veículo de notícias com maior autoridade no ChatGPT, de acordo com a metodologia do ranking. Ele afirma ainda que o conteúdo do site recebe mais de 1,2 milhão de acessos por dia feitos por bots de IA. O próprio autor ressalva que um acesso de robô não vira necessariamente citação nem visita de leitor, mas diz que o número mostra uma mudança na forma como a informação publicada é lida e distribuída.
O que a Exame diz ter aprendido sobre custo e governança
O CTO lista cinco aprendizados. O primeiro é que a resistência da redação precisou ser ouvida, com editores participando do desenho das soluções. O segundo é que a governança tem de acompanhar o projeto desde a escolha do modelo até o monitoramento em produção. Sanchez diz que o maior desafio não foi construir os agentes, e sim garantir que operassem dentro dos limites definidos.
Os outros três tratam de custo e execução. A Exame usa modelos da OpenAI e da Anthropic, e o executivo afirma que o modelo mais avançado nem sempre dá o melhor resultado econômico: em milhares ou milhões de interações, pequenas diferenças no custo de processamento viram valores relevantes. Ele diz ainda que o projeto teve aval da diretoria e do conselho e que uma demonstração de agente é simples perto de colocá-lo em produção, conectado a sistemas e tratando exceções. Por isso a empresa trabalha com pilotos e testes, e descarta parte das iniciativas.
Para o empresário que avalia o mesmo caminho, o relato indica onde o dinheiro tende a ficar: na escolha do modelo por tarefa, no comitê que aprova ferramentas e no acompanhamento dos casos que ainda precisam de gente. A Exame não informou receita, economia de custos ou número de vagas afetadas pelos agentes.



