A Chilli Beans pediu recuperação extrajudicial neste sábado (31) para renegociar dívidas de R$ 340 milhões, segundo a CNN Brasil e o InfoMoney, que publicou texto do Estadão Conteúdo. O plano, alinhado com os principais credores da empresa, prevê aporte de até R$ 50 milhões em novos recursos.
Itaú, Akron e Vega aparecem como financiadores âncoras. De acordo com a CNN, eles coordenam o processo de injeção de dinheiro na companhia. O InfoMoney acrescenta que o plano foi estruturado com a participação dos três e que o dinheiro novo vem dos próprios credores.
O que entra na dívida de R$ 340 milhões
As duas reportagens concordam no valor, mas divergem no detalhe sobre quem são os credores. O InfoMoney afirma que a empresa quer renegociar R$ 340 milhões em dívidas com bancos e que o alcance do processo se limita a débitos financeiros. A CNN fala em dívidas e em acordo com os principais credores, sem restringir a bancos.
Nenhuma das duas explica a composição do passivo. A empresa também não detalhou a origem dos problemas financeiros, segundo o InfoMoney. Em comunicado, o fundador e presidente-executivo, Caito Maia, atribuiu parte das dificuldades ao momento do varejo brasileiro e disse que a companhia sai do período mais consciente do que representa para consumidores e parceiros.
Como funciona a via extrajudicial
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores, e o acordo vai à Justiça apenas para homologação. Ele vale para créditos da mesma natureza, de acordo com a CNN. Não é preciso acionar o Judiciário para abrir a negociação.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, explicou em comentário geral, sem se referir ao caso específico, que o instrumento serve para costurar um acordo entre os principais credores. Para ela, a recuperação judicial é um rito muito mais complexo e exige interventor. A advogada de Direito Empresarial Daniela Correa disse que a medida costuma preservar a empresa e que, em geral, as operações seguem iguais.
Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, afirmou ao InfoMoney que a renegociação criará condições para a empresa concentrar esforços na operação, reforçar a relação com franqueados e fornecedores e retomar um crescimento sustentável.
Quem fica de fora do acordo
Fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais não entram na renegociação, segundo o InfoMoney. Para eles, em princípio, os contratos seguem como estão. As reportagens não dizem como serão tratados os pagamentos em atraso, se houver.
A rede tem cerca de 900 franquias no país e atua em mais de 14 países. Em outubro, abriu nove pontos de venda no Brasil e quatro unidades na América do Sul, de acordo com as duas fontes. Para o franqueado, o efeito imediato depende de a operação continuar abastecida e de o plano ser homologado.
Ficam sem resposta nas duas reportagens os prazos, os juros, o deságio proposto, o percentual de adesão exigido dos credores e o juízo responsável. Itaú, Akron e Vega também não se manifestaram além do papel de financiadores. Sem esses números, não é possível medir quanto os bancos aceitam perder.



