domingo, 1 de novembro de 2026 · Edição diária

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Boticário pede adiar a reforma tributária para 2028 e 55% das franquias apontam imposto como maior problema

Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, disse na ABF Con que é mais sensato postergar a implementação para 2028. Pesquisa da ABF com o Sebrae mostra que 55% dos franqueadores veem a carga tributária como principal desafio dos próximos 12 meses.

Loja de varejo em shopping brasileiro
O Grupo Boticário tem mais de 4 mil pontos de venda e GMV de R$ 38,1 bilhões, segundo a Exame. Foto: Pexels / Tony Wu

Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, defendeu em entrevista coletiva na ABF Con, neste sábado (31), que a reforma tributária seja adiada para 2028, segundo a Exame. A convenção reúne as maiores redes de franquia do país, e a fala ocorre a pouco mais de dois meses do início da implementação.

Grynbaum afirmou concordar com os princípios da reforma, como a simplificação do sistema. Sua crítica é a falta de clareza em pontos que afetam a operação das empresas. Para ele, um prazo maior daria mais condições de preparo e reduziria o risco de erros e de disputas sobre a interpretação das regras.

O que o Boticário diz que ainda falta definir

O executivo apontou três lacunas. A primeira é o cálculo de créditos e débitos tributários, sem o qual a empresa não consegue estimar o efeito sobre custos e rentabilidade. A segunda é a formação de preços: Grynbaum questionou como definir valores sem saber quais regras tributárias valerão.

A terceira é operacional. Trabalhar ao mesmo tempo com dois sistemas tributários, disse ele, aumenta a complexidade e os custos. A adaptação passa por sistemas, processos internos, controles de estoque e rotinas fiscais. O Grupo Boticário, que tem mais de 4 mil pontos de venda e GMV de R$ 38,1 bilhões, é uma das redes de maior porte do setor.

Franquias colocam imposto à frente de juros e mão de obra

Uma pesquisa da ABF com o Sebrae, citada pela Exame, ouviu franqueadores sobre os desafios dos próximos 12 meses. Na amostra, 55% apontaram a carga tributária como principal problema, à frente de mão de obra, juros e acesso a crédito e inflação.

O incômodo é maior nas redes grandes: 61% das de médio e grande porte citam a tributação, contra 44% das micro e pequenas. Nas entrevistas qualitativas, franqueadores disseram que investidores têm adiado decisões à espera de definições sobre a reforma. Juros altos, aumento de custos, margens comprimidas e consumidor sensível a preço completam a lista de pressões.

Fim da escala 6x1 pesa mais nas lojas pequenas

Grynbaum também tratou do fim da escala 6x1. Segundo ele, as operações menores são as mais afetadas, e o impacto para lojas com dois ou três funcionários chega a 50%. Redes que dependem de atendimento presencial e abrem nos fins de semana podem precisar de novas contratações ou de redistribuição de equipes.

Um estudo da ABF de março de 2026 estimou aumento potencial de 20% no custo da folha em determinados modelos, como restaurantes. A mesma pesquisa mostra que 55% das redes têm dificuldade grande ou muito grande para contratar e reter funcionários.

Quem sente o efeito em 2027

Para o executivo, o próximo ano será desafiador, com varejo pressionado por juros elevados, renda das famílias apertada e menos fluxo de clientes nas lojas físicas. O custo do crédito pesa sobre investimentos e expansão, tanto das redes quanto de quem pretende abrir uma franquia.

Na prática, a posição do Boticário reforça o pedido de parte do varejo por mais prazo, enquanto o calendário segue em vigor. A Exame não registra resposta do governo à proposta de adiamento, e a decisão sobre qualquer mudança de cronograma depende do Congresso.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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