As exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo a balança comercial divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em valor, a queda foi de 19,7%, para US$ 1,2 bilhão, ante US$ 1,5 bilhão um ano antes.
A retração está ligada ao esgotamento da cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas sem sobretaxa de 55%. Em 10 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou ao Brasil que a utilização da cota havia chegado a 90%. O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, disse que a redução dos embarques era esperada e que exportadores cortam volume quando sobe o risco da tarifa adicional.
Embarques à China no pior nível desde 2021
Relatório da Safras Consultoria, com base na Secex, aponta que os embarques de carne bovina à China somaram 16,08 mil toneladas em agosto, quase 90% abaixo das 158,06 mil toneladas do mesmo mês de 2025. Foi o pior desempenho mensal ao mercado chinês desde dezembro de 2021, quando o Brasil ficou impedido de vender após suspeita de vaca louca. A consultoria estima que, contando cargas de fim de 2025 que desembarcaram em 2026, o Brasil já extrapolou o teto de 1,106 milhão de toneladas sem a tarifa extra.
Fávaro e a negociação da salvaguarda
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem conduzido, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (MDIC), a cobrança de flexibilidade em Pequim. O governo brasileiro pediu que embarques feitos até 31 de dezembro de 2025 fiquem de fora da cota de 2026 e que o Brasil possa absorver volumes não usados por países como Uruguai e Estados Unidos. Fávaro classificou as sinalizações chinesas como favoráveis, mas os números de agosto mostram o freio concreto nos portos enquanto a salvaguarda segue vigente.
Acumulado do ano ainda positivo
De janeiro a agosto, as exportações totais de carne resfriada e congelada do Brasil ainda cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor ante 2025, segundo o MDIC. A Ásia puxou parte do recuo mensal: embarques ao continente caíram 19,2% em agosto. O setor frigorífico segue tentando diversificar destinos, mas, na avaliação da Safras, substituir a China continua complexo.



