O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno de 2026 marcado para 25 de outubro, prometeu à campanha um ajuste fiscal entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões já no primeiro ano de um eventual governo. Uma coluna de Miriam Leitão publicada no GLOBO reuniu, porém, uma sequência de falas do próprio candidato e de aliados que caminham na direção oposta: mais despesa obrigatória e menos receita.
Em 8 de outubro, Flávio afirmou que fará reajuste das aposentadorias do INSS acima da inflação caso seja eleito e pediu que os aposentados não caiam em 'fake news do PT' sobre um possível fim desse reajuste, segundo reportagem do Jornal do Comércio. A fala pública contrasta com o que a própria equipe econômica do candidato avalia nos bastidores: um pacote de contenção de despesas obrigatórias da União da ordem de R$ 250 bilhões, que prevê desvincular o reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo, corrigindo os dois apenas pela inflação.
O salário mínimo que ele evita prometer
Questionado diretamente se manteria a política de aumento real do salário mínimo, Flávio não confirmou nem negou o compromisso. Disse apenas que não fará economia com quem ganha o piso nacional nem com aposentados, e que vai cortar despesas na corrupção, na burocracia e nos cargos de indicação política. No campo tributário, prometeu o maior corte de impostos da história do país, incluindo voltar a zerar o imposto sobre exportação de petróleo e reduzir a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras a níveis de 2022.
As emendas que ele promete manter
No mesmo dia 8 de outubro, em reunião fechada com deputados, senadores e dirigentes do Podemos, Flávio defendeu as emendas parlamentares e indicou que não pretende alterar o desenho orçamentário que hoje garante a parlamentares poder sobre parcela do Orçamento da União, mecanismo criticado pelo presidente Lula como fator de pressão sobre as contas públicas. Segundo a ICL Notícias, ele disse aos presentes:
A equipe econômica do candidato também já havia descartado, pela voz do ex-ministro Adolfo Sachsida, a privatização de estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, outro item de receita potencial que fica fora do radar do ajuste anunciado.
Quem paga a conta do ajuste
A soma das promessas aponta em uma única direção: mais despesa obrigatória e menos receita tributária, no momento em que a campanha promete reduzir o resultado negativo das contas públicas em até R$ 200 bilhões. Flávio não detalhou como aposentadorias corrigidas acima da inflação, emendas mantidas e cortes de impostos cabem dentro de uma meta de ajuste desse tamanho. O espaço fiscal que resta para fechar a conta recai sobre outras áreas do Orçamento, como investimentos públicos e custeio da máquina federal, categorias que já disputam recursos escassos entre si. Até a data do segundo turno, mercado financeiro e parlamentares aguardam um detalhamento numérico que explique como as duas pontas da promessa, mais benefício e menos imposto, se equilibram com o corte de gasto anunciado.
Fontes consultadas
- O Globo (Miriam Leitão) — A falta de plano na economia
- Jornal do Comércio — Publicamente, Flávio Bolsonaro defende reajuste de aposentadorias acima da inflação
- ICL Notícias — Flávio defende emendas em reunião fechada com políticos e diz saber 'como é suado conseguir voto'
- O Povo — Flávio Bolsonaro promete reduzir impostos e diz que não fará economia em cima de aposentados



