segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Flávio promete ajuste fiscal de até R$ 200 bilhões, mas cada proposta sua aumenta o gasto

Candidato do PL prometeu cortar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões de despesa no primeiro ano, mas também garantiu reajuste de aposentadorias acima da inflação, manutenção de emendas e o maior corte de impostos da história do país.

Flávio Bolsonaro durante evento de campanha ao segundo turno das eleições de 2026
Flávio Bolsonaro (PL) prometeu ajuste fiscal de até R$ 200 bilhões ao mesmo tempo em que fez promessas que ampliam despesas e reduzem receita. Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno de 2026 marcado para 25 de outubro, prometeu à campanha um ajuste fiscal entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões já no primeiro ano de um eventual governo. Uma coluna de Miriam Leitão publicada no GLOBO reuniu, porém, uma sequência de falas do próprio candidato e de aliados que caminham na direção oposta: mais despesa obrigatória e menos receita.

Em 8 de outubro, Flávio afirmou que fará reajuste das aposentadorias do INSS acima da inflação caso seja eleito e pediu que os aposentados não caiam em 'fake news do PT' sobre um possível fim desse reajuste, segundo reportagem do Jornal do Comércio. A fala pública contrasta com o que a própria equipe econômica do candidato avalia nos bastidores: um pacote de contenção de despesas obrigatórias da União da ordem de R$ 250 bilhões, que prevê desvincular o reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo, corrigindo os dois apenas pela inflação.

O salário mínimo que ele evita prometer

Questionado diretamente se manteria a política de aumento real do salário mínimo, Flávio não confirmou nem negou o compromisso. Disse apenas que não fará economia com quem ganha o piso nacional nem com aposentados, e que vai cortar despesas na corrupção, na burocracia e nos cargos de indicação política. No campo tributário, prometeu o maior corte de impostos da história do país, incluindo voltar a zerar o imposto sobre exportação de petróleo e reduzir a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras a níveis de 2022.

As emendas que ele promete manter

No mesmo dia 8 de outubro, em reunião fechada com deputados, senadores e dirigentes do Podemos, Flávio defendeu as emendas parlamentares e indicou que não pretende alterar o desenho orçamentário que hoje garante a parlamentares poder sobre parcela do Orçamento da União, mecanismo criticado pelo presidente Lula como fator de pressão sobre as contas públicas. Segundo a ICL Notícias, ele disse aos presentes:

A equipe econômica do candidato também já havia descartado, pela voz do ex-ministro Adolfo Sachsida, a privatização de estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, outro item de receita potencial que fica fora do radar do ajuste anunciado.

Quem paga a conta do ajuste

A soma das promessas aponta em uma única direção: mais despesa obrigatória e menos receita tributária, no momento em que a campanha promete reduzir o resultado negativo das contas públicas em até R$ 200 bilhões. Flávio não detalhou como aposentadorias corrigidas acima da inflação, emendas mantidas e cortes de impostos cabem dentro de uma meta de ajuste desse tamanho. O espaço fiscal que resta para fechar a conta recai sobre outras áreas do Orçamento, como investimentos públicos e custeio da máquina federal, categorias que já disputam recursos escassos entre si. Até a data do segundo turno, mercado financeiro e parlamentares aguardam um detalhamento numérico que explique como as duas pontas da promessa, mais benefício e menos imposto, se equilibram com o corte de gasto anunciado.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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