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Moraes dá 24 horas para Flávio entregar passaportes e o proíbe de falar com Willer Tomaz

A intimação da PF chegou na manhã de segunda-feira (26), um dia depois da derrota para Lula. Flávio também fica proibido de deixar o país e diz que vai cumprir a ordem.

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, é o relator do inquérito que investiga lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas. Foto: Gobierno argentino / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue os passaportes comum e diplomático em até 24 horas e o proibiu de manter contato com o advogado Willer Tomaz, segundo a Exame. A intimação foi feita pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (26), um dia depois de Flávio perder o segundo turno para Lula.

A informação foi confirmada à Exame por pessoas a par das investigações. Além da entrega dos documentos, Flávio fica impedido de deixar o Brasil. Moraes é o relator do inquérito no STF.

Quem é Willer Tomaz e o que a PF investiga

Tomaz é advogado, amigo de Flávio e investigado por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. A Polícia Federal suspeita que os dois sejam sócios da Best Bet, casa de apostas que Tomaz fundou e controlava. Ambos negam a sociedade. A Exame também registra que o advogado é investigado no caso das fraudes do INSS.

O inquérito das apostas nasceu de um procedimento da PF no Rio Grande do Sul e subiu ao STF depois que o nome do senador, que tem foro privilegiado, apareceu na apuração. Um dos elementos é uma conta ligada à Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. De acordo com a investigação, Flávio teria acesso privilegiado, com perfil "master", a essa conta. A defesa de Tomaz nega o acesso e diz que a relação é de amizade, sem movimentação financeira entre os dois.

A PF também registrou viagens, encontros e relações comerciais entre ambos. Uma conta ligada a empresas do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Um segundo inquérito, chamado Dark Horse, apura o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e o destino de recursos pagos por Daniel Vorcaro a uma offshore.

O que já havia sido decidido contra o advogado

Em 23 de outubro, Moraes já havia mandado bloquear até R$ 6 bilhões em bens e valores de Tomaz, além de quebrar seus sigilos bancário, fiscal e cambial e suspender atividades de empresas ligadas a ele. O valor é um teto do bloqueio, não uma quantia efetivamente localizada. A defesa chamou as medidas de desproporcionais e disse que o número não corresponde ao patrimônio do advogado. Tomaz deixou o Brasil em agosto, depois de uma operação da PF.

Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, revelada pelo UOL e acessada pela Exame, indica que ele movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025. Foi quem mais depositou em plataformas do país, com mais de R$ 258 milhões, quase o dobro do segundo colocado, e acumulou cerca de R$ 200 milhões em saques.

A reação de Flávio e o que vem agora

Em vídeo nas redes sociais, Flávio disse ter sido intimado na rua, ao sair de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Chamou a medida de perseguição e afirmou que "a Polícia Federal do Lula me intimou na rua". Disse ainda que "ninguém vai me calar", que vai entregar os passaportes e que vai se defender.

O senador afirmou que a decisão foi tomada na noite de domingo, depois do resultado da eleição, e que Moraes teria levado em conta uma declaração de Eduardo Bolsonaro, que defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse. Eduardo vive nos Estados Unidos em autoexílio. Flávio disse que nunca pensou em sair do Brasil.

Na prática, o prazo de 24 horas vence na terça-feira (27). Sem os passaportes e sem poder viajar, Flávio passa a ter a rotina de senador limitada ao território nacional enquanto o inquérito corre sob relatoria de Moraes. A Exame ressalta que as suspeitas estão em investigação e não representam condenação.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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