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Trump oferece US$ 1 milhão por denúncia de fraude eleitoral, mas só paga após condenação

O presidente dos EUA prometeu US$ 1 milhão a quem denunciar fraude em eleições passadas ou nas de 3 de novembro, mas o pagamento depende de prisão e condenação. Estudo da Brookings achou 39 casos em mais de 100 milhões de votos na Pensilvânia.

Donald Trump discursando em evento político nos Estados Unidos
Trump fez o anúncio na Truth Social, uma semana antes das eleições de meio de mandato nos EUA. Foto: Europäische Kommission - Audiovisueller Dienst, CE - Service / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (26), na rede Truth Social, que pagará US$ 1 milhão a quem denunciar fraude eleitoral, segundo a Reuters, reproduzida pela CNN Brasil e pelo InfoMoney. A oferta vale para eleições passadas e para as de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

O dinheiro não sai na hora da denúncia. De acordo com o texto do post, o pagamento só ocorre depois da prisão e da condenação dos responsáveis pela fraude apontada.

“Qualquer pessoa que denunciar fraude eleitoral nas eleições passadas ou nas próximas eleições de meio de mandato de 2026 receberá US$ 1.000.000 após a prisão e condenação dos responsáveis pela fraude”, escreveu o presidente Donald Trump.

O que a oferta cobre e o que ela exige

A recompensa depende de duas condições ao mesmo tempo. A denúncia precisa levar a uma prisão e a uma condenação, o que passa por investigação, acusação e julgamento. Os textos das agências não informam quem pagaria, de que fundo sairia o valor nem qual órgão receberia as denúncias.

A menção a eleições passadas chama a atenção. Trump segue afirmando, sem provas, que a eleição de 2020, vencida por Joe Biden, foi fraudulenta, e se recusou a reconhecer a derrota. Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores dele invadiram o Capitólio para tentar impedir a certificação do resultado pelo Congresso, lembrou a Reuters.

A oito dias da votação, com pesquisas desfavoráveis

O anúncio chega quando o Partido Republicano enfrenta dificuldades nas pesquisas. Os republicanos têm maioria estreita na Câmara e no Senado, e a popularidade de Trump está baixa, em parte pelo custo de vida e pela alta dos combustíveis, que a Reuters atribui à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Segundo a agência, o governo adotou uma postura mais dura na fiscalização eleitoral. Pressiona os estados a entregar dados de registro de eleitores e defende regras mais rígidas para ampliar a confiança pública no processo. Críticos, entre eles especialistas, autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos, veem nessas medidas uma intromissão excessiva do governo federal. Algumas autoridades eleitorais disseram à Reuters que se preparam para uma possível interferência federal.

A Exame, com informações da AFP, registrou outro movimento recente. Na sexta-feira anterior, Trump disse ter pedido ao Departamento de Justiça um recurso preventivo para o caso de os democratas vencerem a disputa pelo Senado no Alasca. Ele citou risco de confusão porque a cédula traz dois candidatos chamados Dan Sullivan: um independente e o senador republicano que busca a reeleição.

O que os dados dizem sobre fraude nos EUA

A Exame citou uma análise da Brookings Institution, descrita como de centro-esquerda, sobre a base de dados da Heritage Foundation, de perfil conservador. O levantamento encontrou 39 casos de fraude em mais de 100 milhões de votos, ao longo de 32 eleições na Pensilvânia em três décadas. O Brennan Center afirma que estudos amplos mostram que a fraude é muito rara.

Segundo a AFP, não foi apresentada evidência de que fraude tenha alterado de forma relevante o resultado de qualquer votação nos EUA. Na prática, a oferta de US$ 1 milhão cria um incentivo financeiro para denúncias a oito dias da votação. A pressão recai sobre as autoridades estaduais que organizam a apuração e já se preparam para lidar com o governo federal.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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