O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, disse no domingo (11), durante almoço com prefeitos e vereadores da região metropolitana de São Paulo, que pretende cortar a Selic em três a quatro pontos percentuais em um prazo curto, segundo o jornal O Globo. O encontro foi articulado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Flávio não detalhou como pretende viabilizar a queda dos juros.
A promessa chama atenção porque a definição da taxa básica de juros não cabe ao presidente da República. A Selic é fixada pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, colegiado do Banco Central cuja autonomia foi estabelecida por lei em 2021 para isolar as decisões de juros de pressões do governo.
A mobilização de prefeitos paulistas tem também um motivo eleitoral. Lula venceu em apenas 39 dos 645 municípios do estado no primeiro turno, 14 deles na região metropolitana, segundo o Globo. Reunir a estrutura política local é uma forma de Flávio ampliar seu alcance onde o presidente teve menos força nas urnas.
A garantia de Flávio sobre o Bolsa Família
Questionado sobre o futuro dos programas sociais em um eventual governo seu, Flávio tentou afastar a desconfiança de parte do eleitorado de baixa renda. Segundo o Globo, ele disse:
Ele afirmou ainda que ninguém vai tocar em programas sociais e que pretende apenas melhorá-los, de acordo com o jornal. Também prometeu manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação, política adotada pelo governo Lula. A declaração repete uma linha já usada por ele em junho, no Fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja, quando chamou o Bolsa Família de direito adquirido do povo brasileiro.
O ajuste fiscal sem explicação
Apesar das garantias sobre os programas sociais, Flávio não detalhou de onde viriam os recursos para o ajuste fiscal defendido por sua equipe econômica. Ele citou apenas o combate à corrupção e a desperdícios no orçamento como fontes de economia, sem apresentar números, prazos ou um plano formal, segundo o Globo.
A autonomia do Banco Central trava a promessa
O corte de juros prometido por Flávio depende, na prática, de uma mudança na condução do Copom, já que a lei de autonomia do Banco Central impede que o presidente determine diretamente o nível da Selic. Decisões desse tipo seguem a trajetória da inflação e das expectativas de mercado, não um calendário de campanha. O corte de juros se junta, assim, ao ajuste fiscal sem detalhamento como promessas de campanha ainda sem explicação de como seriam cumpridas.
Fontes consultadas
- O Globo Política — Flávio afirma que 'ninguém vai tocar' em programas sociais como o Bolsa Família, mas não explica ajuste
- InfoMoney — Flávio reafirma que manterá reajuste do salário mínimo e Bolsa Família se for eleito
- DGABC — Flávio repete que manterá reajuste do salário mínimo e Bolsa Família caso eleito



