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Flávio promete corte de 3 a 4 pontos na Selic, mas juro não é decisão do presidente

Em almoço com prefeitos paulistas articulado por Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes no domingo (11), o candidato prometeu reduzir os juros em até 4 pontos e repetiu que vai manter o Bolsa Família, mas não disse como fará o corte nem de onde virá o ajuste fiscal.

Flávio Bolsonaro durante encontro com prefeitos em São Paulo
Flávio Bolsonaro participou de almoço com prefeitos da região metropolitana de São Paulo no domingo (11), articulado por Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, disse no domingo (11), durante almoço com prefeitos e vereadores da região metropolitana de São Paulo, que pretende cortar a Selic em três a quatro pontos percentuais em um prazo curto, segundo o jornal O Globo. O encontro foi articulado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Flávio não detalhou como pretende viabilizar a queda dos juros.

A promessa chama atenção porque a definição da taxa básica de juros não cabe ao presidente da República. A Selic é fixada pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, colegiado do Banco Central cuja autonomia foi estabelecida por lei em 2021 para isolar as decisões de juros de pressões do governo.

A mobilização de prefeitos paulistas tem também um motivo eleitoral. Lula venceu em apenas 39 dos 645 municípios do estado no primeiro turno, 14 deles na região metropolitana, segundo o Globo. Reunir a estrutura política local é uma forma de Flávio ampliar seu alcance onde o presidente teve menos força nas urnas.

A garantia de Flávio sobre o Bolsa Família

Questionado sobre o futuro dos programas sociais em um eventual governo seu, Flávio tentou afastar a desconfiança de parte do eleitorado de baixa renda. Segundo o Globo, ele disse:

Ele afirmou ainda que ninguém vai tocar em programas sociais e que pretende apenas melhorá-los, de acordo com o jornal. Também prometeu manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação, política adotada pelo governo Lula. A declaração repete uma linha já usada por ele em junho, no Fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja, quando chamou o Bolsa Família de direito adquirido do povo brasileiro.

O ajuste fiscal sem explicação

Apesar das garantias sobre os programas sociais, Flávio não detalhou de onde viriam os recursos para o ajuste fiscal defendido por sua equipe econômica. Ele citou apenas o combate à corrupção e a desperdícios no orçamento como fontes de economia, sem apresentar números, prazos ou um plano formal, segundo o Globo.

A autonomia do Banco Central trava a promessa

O corte de juros prometido por Flávio depende, na prática, de uma mudança na condução do Copom, já que a lei de autonomia do Banco Central impede que o presidente determine diretamente o nível da Selic. Decisões desse tipo seguem a trajetória da inflação e das expectativas de mercado, não um calendário de campanha. O corte de juros se junta, assim, ao ajuste fiscal sem detalhamento como promessas de campanha ainda sem explicação de como seriam cumpridas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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