segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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FMI diz que o investimento em IA sustenta o crescimento global em 3% e põe 40% dos empregos em risco

Kristalina Georgieva afirmou que o boom de investimentos em IA mantém a economia mundial crescendo cerca de 3%, mas alertou que 40% dos empregos serão transformados ou eliminados, índice que chega a 60% nas economias avançadas.

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, durante reunião do Fundo
Georgieva falou na abertura da semana de reuniões do FMI e do Banco Mundial em Bangkok, na Tailândia. Foto: Xuthoria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, afirmou nesta segunda-feira (12) que o forte investimento em infraestrutura de inteligência artificial mantém o crescimento global em torno de 3%. A declaração foi feita em Bangkok, no primeiro dia das reuniões do FMI e do Banco Mundial, e foi relatada pela CNN Brasil.

Georgieva descreveu o avanço da tecnologia como um "tsunami de movimento lento", capaz de perturbar o mercado de trabalho, a tributação e a educação. Segundo ela, o boom de aportes em IA já funciona como um choque de demanda e de investimento na economia.

O que o investimento em IA soma ao PIB

De acordo com a diretora, esse efeito pode acrescentar cerca de 1 ponto percentual ao crescimento das economias avançadas da Ásia. Nas economias emergentes asiáticas, a contribuição estimada fica entre 0,2 e 0,8 ponto percentual. Ela associou o ritmo de 3% à aceleração dos investimentos, mesmo diante do choque no fornecimento de energia.

O FMI previu em julho crescimento global de 3% para 2026. A atualização das projeções do Fundo será divulgada na terça-feira (13). Georgieva disse que Estados Unidos, China e Índia são os principais produtores na cadeia de suprimentos de IA, e que muitas fornecedoras de hardware estão na Ásia.

Empregos e arrecadação sob pressão

A diretora citou pesquisas do FMI segundo as quais cerca de 40% dos empregos serão aprimorados, rebaixados ou eliminados pela IA. Nas economias avançadas, o índice sobe para 60%. Um estudo inicial mostrou que 10% das vagas nos Estados Unidos já exigiam habilidades em IA, enquanto os postos rotineiros e repetitivos encolhem. As vagas de baixa remuneração crescem em construção civil e em data centers.

Georgieva afirmou que a mudança esperada do trabalho para o capital afetará a forma como os governos arrecadam impostos. Se a renda migra dos salários para o capital, a base tradicional de tributação sobre a folha perde peso.

O presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, também falou no evento. Ele pediu que os governos enfrentem a redução das oportunidades de primeiro emprego para recém-formados e alertou que a IA vai ampliar a divergência entre países em desenvolvimento e avançados se a resposta for passiva.

O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, divergiu em parte. Ele disse não estar convencido de que a IA destruirá empregos de nível básico e afirmou que a maior parte da disrupção ocorrerá nas economias avançadas que constroem grandes modelos. O Banco Mundial pretende apostar em IA de pequena escala, que exige pouco poder computacional, para elevar a produtividade de agricultores, clínicas de saúde e professores.

O que a atualização de terça-feira vai medir

Para governos e empresas, o dado a acompanhar é a revisão das projeções do FMI na terça-feira. Ela mostrará se o investimento em IA continua compensando o choque de energia na avaliação do Fundo. A discussão sobre tributação do capital e requalificação, apontada por Georgieva, tende a entrar na agenda fiscal dos países que dependem de impostos sobre a folha, caso o Brasil siga essa trajetória de adoção.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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