Profissionais brasileiros usam ferramentas de inteligência artificial sem autorização das empresas para entregar tarefas mais rápido, prática que a Exame, em reportagem publicada nesta terça-feira (27), batizou de Gambi-IA. No mercado global, o fenômeno é conhecido como Shadow AI.
A reportagem cita o relatório Work Trend Index, da Microsoft e do LinkedIn, que ouviu 31 mil profissionais. De acordo com o levantamento, 75% dos trabalhadores do conhecimento já usam IA no trabalho. Entre eles, 78% levam as próprias ferramentas para o escritório sem avisar os superiores.
O que os profissionais fazem com a ferramenta que ninguém aprovou
Os usos descritos pela Exame são rotineiros: resumir reuniões, montar apresentações e estruturar trechos de código. São tarefas que consomem horas e que a IA generativa costuma resolver em minutos, o que explica a adesão por conta própria.
Segundo a reportagem, três motivos levam o profissional a esconder o uso. O primeiro é a falta de regras claras na empresa. O segundo é o receio de que, ao entregar mais rápido, ele receba novas demandas sem que o prazo total seja revisto. O terceiro é o medo de que uma proibição genérica derrube a produtividade que ele conseguiu.
Onde está o risco para a empresa
O problema mais direto é o dado que sai da companhia. Contratos, relatórios financeiros e outros documentos internos podem ser colados em plataformas abertas, e a informação estratégica fica fora do controle de quem a produziu. Um estudo da Cyberhaven, citado na reportagem, indica que 11% dos dados inseridos por funcionários em ferramentas abertas são confidenciais.
Há um efeito menos visível. Quando o uso é escondido, a liderança não consegue medir o ganho real de produtividade, e isso atrapalha a decisão de onde investir em capacitação e em infraestrutura. A empresa paga pelo risco sem enxergar o retorno.
O que os especialistas recomendam às empresas
A Exame reúne recomendações de especialistas que apontam para o mesmo caminho: diretrizes transparentes, política explícita sobre quais softwares estão liberados e treinamento em segurança digital. A proposta é incentivar a inovação responsável em vez de proibir o uso, que tende a empurrá-lo ainda mais para a informalidade.
Na prática, a conta recai sobre gestores de tecnologia, jurídico e recursos humanos, que precisam definir antes do próximo ciclo de planejamento quais ferramentas são permitidas e que tipo de dado pode ser inserido nelas. Sem essa definição, o profissional continua decidindo sozinho, e a empresa só descobre o tamanho do problema depois de um vazamento.



