O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, criticou na noite de segunda-feira (2) a condução do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2026. O texto foi publicado no perfil dele no X, segundo o Poder360, e não menciona o nome do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
Gilmar afirmou que as instituições de Estado são maiores do que quem as ocupa e que a institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. Do comando do órgão que organiza o pleito, escreveu, espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe.
O que o decano cobrou do comando do tribunal
A passagem mais dura vem logo depois. Para o ministro, em órgãos de elevada importância, silêncios e hesitações não são neutros. Segundo ele, a falta de manifestação pode abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a resolver o que poderia ter sido decidido na origem e dar pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral que ele classificou como íntegro e confiável.
Gilmar atribuiu ao colegiado do TSE o mérito de ter mantido a disputa dentro das regras democráticas. Ao mesmo tempo, avisou sobre o risco de depender de um único mecanismo de proteção. Escreveu:
Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel.
O ministro acrescentou que a solidez do processo eleitoral não pode depender apenas da força do colegiado. Nas entrelinhas, sem essa força coletiva a presidência do tribunal sozinha não teria bastado.
Os episódios que cercam o recado
O Poder360 liga a crítica a dois momentos da reta final. Em 25 de outubro, dia do 2º turno, o ministro Cristiano Zanin, indicado por Lula, determinou a prorrogação da votação até as 19h em todos os Estados. Atendeu a um pedido da coligação do petista, que havia acionado primeiro o TSE antes de recorrer ao Supremo.
De acordo com o jornal digital, a decisão de Zanin atropelou o TSE, a quem cabia decidir sobre os pedidos das campanhas. Nunes Marques se posicionou depois e orientou que as seções abertas continuassem em funcionamento até as 19h, horário de Brasília, em estrito cumprimento à determinação judicial.
Em 28 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado, deixou o país e publicou uma carta em que dizia ser "líder do Brasil", segundo o Poder360. Nunes Marques divulgou então uma nota. Ela afirmava que o eleitorado foi às urnas e escolheu seus representantes de forma legítima, e que a eleição transcorreu com absoluta normalidade. Sobre a prorrogação, o presidente do TSE disse que, apesar da instabilidade no fim da votação, as medidas adotadas e a competência dos técnicos permitiram avançar na apuração e entregar um pleito com segurança.
A divergência entre STF e TSE
A fala de Gilmar expõe uma divergência pública entre o decano do STF e a presidência do TSE logo depois de uma eleição em que o Supremo interveio no calendário da votação. O tribunal eleitoral defende que o pleito foi seguro e normal.
Na prática, o texto do ministro ajuda a fixar o debate sobre quem decide o quê entre TSE e STF em disputas de última hora. Também antecipa a cobrança por regras mais claras de comunicação do tribunal em momentos de tensão, já que, para Gilmar, a demora em se manifestar abre brechas para questionamentos ao sistema. Até a publicação da matéria do Poder360, o TSE não havia respondido ao post.



