Os partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno elegeram 286 dos 513 deputados federais, o equivalente a 55,8% da Câmara, segundo levantamento publicado nesta terça-feira (3) pelo Metrópoles. As legendas que apoiaram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram com 124 cadeiras, ou 24,2%.
O estudo cruza os resultados das eleições legislativas de 4 de outubro, divulgados pelo TSE, com as posições oficiais dos partidos no segundo turno presidencial, realizado em 25 de outubro. As outras 103 vagas (20,1%) pertencem a siglas que ficaram neutras, liberaram seus filiados ou não tiveram posição nacional unificada.
Como ficam as bancadas de cada lado
Do lado de Flávio, o PL tem 121 deputados. União Brasil e PP, somados, têm 87, o Republicanos 41, o Podemos 27 e o Novo 10. Do lado de Lula, a federação formada por PT, PCdoB e PV reúne 88 deputados, o PSB 15, PSol e Rede também 15, e o PDT 6.
Entre os neutros, o PSD tem 43 deputados e o MDB 36. PSDB e Cidadania somam 11, PRD e Solidariedade 7, o Avante 5 e o Missão 1.
O próprio Metrópoles faz uma ressalva: os deputados foram eleitos antes de vários partidos oficializarem o apoio a Lula ou a Flávio. Por isso, os números não indicam que cada parlamentar votou no candidato do seu partido, nem que a composição represente a futura base do governo.
Motta e Alcolumbre, de partidos que apoiaram Flávio
Os atuais presidentes das duas Casas pertencem a partidos do bloco de Flávio. Hugo Motta (Republicanos-PB) comanda a Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP) preside o Senado. Segundo o Metrópoles, ambos mantêm diálogo com Lula e buscam a recondução em fevereiro de 2027. Os dois se reuniram com o presidente no Palácio da Alvorada na segunda-feira (26), um dia depois da votação.
O caso de Motta mostra a distância entre a posição do partido e a do parlamentar: o Republicanos apoiou Flávio, mas o presidente da Câmara fez campanha por Lula. Na terça-feira (27), a federação PT, PCdoB e PV anunciou apoio à sua recondução, com a justificativa de ampliar a governabilidade no novo mandato. PSB e PDT também aderiram. Antes disso, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e Podemos haviam se comprometido a atuar juntos na escolha da próxima Mesa Diretora.
No Senado, Flávio anunciou na sexta-feira (30) que apoiará Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha e líder da oposição, para a presidência. O PL terá a maior bancada da Casa a partir de 2027, com 29 dos 81 senadores. A eleição das duas Mesas está marcada para 1º de fevereiro de 2027, data da posse dos novos parlamentares.
Onde Lula vai buscar votos
Na conta do levantamento, a base declarada de Lula está 38 cadeiras abaixo do bloco de neutros e apoiadores de Flávio que, juntos, passam de 389 deputados. Para aprovar projetos do governo, o presidente terá de negociar com siglas que estiveram do outro lado na campanha, em especial PSD e MDB, que somam 79 deputados sem alinhamento nacional definido, e com os partidos do centro que já se articulam para a Mesa Diretora.



