O ministro Gilmar Mendes protagonizou nesta terça-feira (15) uma sequência de embates com o colega André Mendonça na sessão do Supremo Tribunal Federal que analisa se abre investigação contra Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Em ao menos cinco frentes, o decano atacou decisões e a condução do relator, segundo a Folha de S.Paulo.
Um dos pontos mais duros foi o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça e referendado pela Segunda Turma no mesmo dia, decisão sobre a qual Gilmar pediu vista. O decano classificou o episódio de vexame e disse que afastar o chefe da PF é como tirar o diretor da Nasa ou o comandante do Exército.
Pixuleco eleitoral e tom religioso
Gilmar acusou Mendonça de calcular o momento político para divulgar mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. Citou a existência de um pixuleco eleitoral, em referência ao boneco inflável usado em protestos de 2016, e afirmou que em nome de Deus já se fez muita patifaria. Disse ainda que o sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa.
Quando Gilmar disse que até as pedras sabem que há viés político-eleitoral nas decisões de Mendonça, o colega pediu respeito e chamou o decano de leviano. Gilmar respondeu que quem não se dá respeito não merece respeito.
PF e o caso Master
O decano também levantou suspeitas de atuação irregular na corporação e criticou o que descreveu como vigilância de integrantes do Supremo. No caso Master, acusou Mendonça de tratar com condescendência o ministro Kassio Nunes Marques nas apurações sobre Vorcaro. Segundo Gilmar, relatório de inteligência da PF anexado ao inquérito mostra postura abertamente defensiva do relator em relação a Nunes Marques, que deixou a sessão após se declarar suspeito.
A cúpula da Polícia Federal viu como positivas as críticas de Gilmar ao afastamento de Andrei, segundo o Valor Econômico. Para a corporação, a fala do ministro expôs a arbitrariedade da medida. A sessão desta terça segue marcada por tensão entre os ministros no plenário.



