O procurador-geral da República, Paulo Gonet, distribuiu na rede interna do Ministério Público Federal (MPF) uma defesa de 30 páginas para o julgamento a que será submetido na próxima semana no Conselho Superior do órgão, em Brasília.
No texto obtido pela CNN, Gonet afirma não ter "relação de amizade alguma" com o banqueiro Daniel Vorcaro nem "interesse pessoal" nos processos em que o dono do extinto Banco Master figura como parte ou investigado. Classifica as imputações como "descabidas e estapafúrdias" e se declara "juridicamente plenamente apto" a atuar no caso, pedindo o afastamento de suspeição ou impedimento.
O procedimento no Conselho Superior foi aberto a pedido do Partido Novo, com base em notícias de que Vorcaro teria pedido a um terceiro que intercedesse junto ao PGR na Operação Compliance Zero.
Gonet usa a seu favor a fala recente do ministro André Mendonça no STF, segundo a qual não viu atuação irregular do procurador-geral nas mensagens com o nome dele. "Não é do meu feitio participar de debates públicos fora do lugar adequado", escreve, destacando que o próprio ministro que "vasculhou" as mensagens não apontou desabono.
Sobre o contato com Vorcaro, a defesa diz que o único encontro presencial ocorreu em abril de 2024, em Londres, em evento jurídico do Grupo Voto e da Consultor Jurídico, sempre com outros convidados e sem conversa profissional. Houve ainda uma breve saudação por telefone em 15 de março de 2025, intermediada por Ciro Soares, antes de qualquer notícia pública de ilícitos do Master.
Gonet registra que não consta da lista de contatos de Vorcaro, que não recebeu ligação do banqueiro e que a PGR recusou duas propostas de colaboração premiada ligadas a ele. Diz ainda que, no período das anotações de Vorcaro, quem atuava na ponta era um procurador da República, e não o PGR.
CNN Brasil e veículos que republicaram o material nesta quinta (17) situam o julgamento no Conselho Superior para a próxima semana; outras reportagens marcam a análise para 25 de setembro.



