O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse nesta quinta (17) que "não é preciso aumentar o tom para ser ouvido", em sua primeira fala pública após a sessão conturbada do STF na terça (15).
A frase veio em discurso de despedida ao ministro Antônio Carlos Ferreira, em sua última sessão na corte eleitoral. Kassio associou o estilo do colega à bossa nova: elegância avessa ao excesso, delicadeza e gentileza com força.
A sessão do STF da terça, destinada a analisar mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes no caso Banco Master, acabou suspensa por pedido de vista e marcada por bate-bocas. Gilmar Mendes elevou o tom contra André Mendonça; o relator reagiu pedindo respeito.
Kassio não participou do julgamento. Declarou-se impedido por chefiar a Justiça Eleitoral às vésperas do primeiro turno de 4 de outubro, após vazarem diálogos do celular de Vorcaro que citavam pagamentos de R$ 500 mil a seu filho, o advogado Kevin Marques.
No plenário, o ministro afirmou que o filho "nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco" e que jamais julgou processo ligado ao Master. Em seguida, retirou-se da sessão.
A fala no TSE desta quinta foi lida como recado indireto ao clima de gritos no Supremo. Kassio é alinhado a Mendonça na correlação de forças da Corte; Folha, Metrópoles e Brasil 247 registraram a declaração no mesmo dia.



