O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (17) que o Judiciário brasileiro "está sangrando" e que o Supremo Tribunal Federal (STF) aparece dividido em dois grupos que buscam "autoproteção" diante da crise ligada ao caso Banco Master.
As declarações foram dadas a jornalistas durante visita às obras do Hospital Regional de Itapetininga, no interior paulista, e foram registradas por CNN Brasil e Estadão no mesmo dia.
"Não dá para a sociedade imaginar ou admitir que o Supremo agora vai se dividir para se proteger, e é o que a gente está vendo. Dois blocos, dois times ali buscando autoproteção", disse Tarcísio.
Para o governador, a Corte vive uma "crise sem precedentes" provocada por posicionamentos políticos dos próprios ministros. "De repente eles deixaram de se comportar como juízes que são", afirmou, cobrando que magistrados também prestem contas quando houver questionamentos sobre conduta.
As falas ocorrem dois dias depois da sessão de terça (15) em que o plenário discutiu se os procedimentos sobre Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam tramitar juntos. O julgamento foi suspenso com pedido de vista de Flávio Dino, com placar parcial de 4 a 3 pela análise separada. Nesta quinta, o presidente Edson Fachin retirou de pauta a análise da atuação de Mendonça marcada para 23 de setembro, sem nova data.
Tarcísio classificou a fala da ministra Cármen Lúcia na sessão de terça como uma "síntese" do momento e pediu "sabedoria" a Fachin para conduzir o tribunal. Defendeu que o Supremo seja "passado a limpo" com transparência.
O governador disse ainda que o mercado financeiro já incorpora um "risco Supremo" comparável ao risco fiscal. "É inadmissível você imaginar, e o mercado já está precificando, que o risco Supremo seja tão importante nas projeções quanto o risco fiscal", afirmou à CNN. No Estadão, reforçou tratar-se de cenário de insegurança jurídica que o STF precisa resolver.
Na mesma agenda, Tarcísio foi perguntado sobre o aliado Milton Leite (União Brasil), alvo da Operação Vectura Corrupta, e descreveu a relação como sempre "institucional" e "propositiva", sem comentar mudança de apoio às candidaturas da família do ex-vereador.



