A Pax, empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública, afirma que sua tecnologia ajudou as polícias de São Paulo, Goiás, Paraná e Ceará a esclarecer 7 mil casos desde 2025, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (3) pela CNN Brasil. Entre os crimes citados estão homicídio, tráfico de drogas, violência contra a mulher, roubo e furto de veículos.
De acordo com a empresa, o sistema contribuiu para 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados nos quatro estados até outubro de 2026. A Pax atua hoje em ao menos 200 cidades. No início do ano, estava em apenas 10 municípios.
Como a ferramenta chega à pista
A IA cruza informações que o Estado já tem: boletins de ocorrência, bases criminais, registros de veículos e imagens, entre outras. Segundo a reportagem, ela não aponta culpados. Um policial responsável confirma ou descarta cada pista, e cada consulta fica registrada em nome de um profissional credenciado.
Um caso de Goiânia ilustra o uso. Criminosos entraram numa joalheria pelo duto de ar-condicionado à noite e saíram na manhã seguinte, depois de duas trocas de roupa e duas de carro. A polícia tinha uma descrição física e uma picape branca. Com o sistema, reconstruiu 2 km da fuga e prendeu três suspeitos no mesmo dia.
O que cada estado informa
Em Goiás, a Secretaria de Segurança Pública contabiliza mais de 3 mil casos esclarecidos, mais de mil prisões e mais de mil veículos recuperados. No Paraná, a tecnologia opera em 20 municípios e, segundo a Secretaria da Segurança Pública, somava até agosto quase 1,9 mil casos esclarecidos, 1,3 mil prisões e mais de 550 veículos recuperados.
Na violência contra a mulher, o Paraná registrou 240 prisões entre janeiro e setembro de 2026. Dessas, 98 foram por estupro de vulnerável e 51 de agressores que descumpriram medida protetiva. Em São Paulo, os números citados vêm da própria Pax: em Bauru, no interior, 400 casos esclarecidos, quase 300 prisões e mais de 80 veículos recuperados. A reportagem cita o Ceará, mas não traz dados do estado.
Os períodos de apuração não são uniformes (outubro, agosto, janeiro a setembro), e os números por estado não fecham o total de 4,7 mil prisões informado pela empresa. A reportagem não apresenta verificação independente dos resultados.
O apoio da população e os riscos que ela aponta
A reportagem lembra que seis em cada dez homicídios no Brasil ficam sem resposta, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz de julho. É nesse vazio que a Pax posiciona o produto.
Pesquisa da Quaest em parceria com a própria Pax, feita em setembro, indica que 86% dos brasileiros apoiam o uso de IA no combate à violência. Desses, 60% se dizem totalmente favoráveis e 26% mais favoráveis do que contrários. Câmeras com IA para localizar pessoas desaparecidas têm aprovação de 97%, e para identificar veículos roubados ou foragidos da Justiça, 96%.
Entre quem se opõe, o principal motivo é o risco de erro e de identificar pessoas injustamente (16%). Em seguida vêm a crença de que a tecnologia não funciona ou não melhora a segurança (15%), a invasão de privacidade (12%) e a falta de confiança em IA (10%).
O que as secretarias precisam mostrar
Com a expansão de 10 para 200 cidades em menos de um ano, a contratação de IA por governos estaduais passa a depender de métricas comparáveis. Hoje, cada secretaria divulga indicadores em períodos diferentes, e parte dos resultados vem do fornecedor. Para os estados que avaliam contratos semelhantes, a diferença entre um caso esclarecido com ajuda da ferramenta e um que seria resolvido de qualquer forma é o dado que ainda falta nos números públicos.



