terça-feira, 3 de novembro de 2026 · Edição diária

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IA da brasileira Pax ajuda polícias de 4 estados a esclarecer 7 mil casos, e a maioria do apoio vem de pesquisa da própria empresa

A empresa diz que sua tecnologia, usada em ao menos 200 cidades, contribuiu para 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados desde 2025 em SP, GO, PR e CE. Os números vêm da Pax e das secretarias estaduais.

Viatura da Polícia Civil de São Paulo em operação
Viatura da Polícia Civil de São Paulo; a IA da Pax cruza bases que o Estado já possui para sugerir pistas aos investigadores. Foto: Pexels / Rodolfo Gaion

A Pax, empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública, afirma que sua tecnologia ajudou as polícias de São Paulo, Goiás, Paraná e Ceará a esclarecer 7 mil casos desde 2025, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (3) pela CNN Brasil. Entre os crimes citados estão homicídio, tráfico de drogas, violência contra a mulher, roubo e furto de veículos.

De acordo com a empresa, o sistema contribuiu para 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados nos quatro estados até outubro de 2026. A Pax atua hoje em ao menos 200 cidades. No início do ano, estava em apenas 10 municípios.

Como a ferramenta chega à pista

A IA cruza informações que o Estado já tem: boletins de ocorrência, bases criminais, registros de veículos e imagens, entre outras. Segundo a reportagem, ela não aponta culpados. Um policial responsável confirma ou descarta cada pista, e cada consulta fica registrada em nome de um profissional credenciado.

Um caso de Goiânia ilustra o uso. Criminosos entraram numa joalheria pelo duto de ar-condicionado à noite e saíram na manhã seguinte, depois de duas trocas de roupa e duas de carro. A polícia tinha uma descrição física e uma picape branca. Com o sistema, reconstruiu 2 km da fuga e prendeu três suspeitos no mesmo dia.

O que cada estado informa

Em Goiás, a Secretaria de Segurança Pública contabiliza mais de 3 mil casos esclarecidos, mais de mil prisões e mais de mil veículos recuperados. No Paraná, a tecnologia opera em 20 municípios e, segundo a Secretaria da Segurança Pública, somava até agosto quase 1,9 mil casos esclarecidos, 1,3 mil prisões e mais de 550 veículos recuperados.

Na violência contra a mulher, o Paraná registrou 240 prisões entre janeiro e setembro de 2026. Dessas, 98 foram por estupro de vulnerável e 51 de agressores que descumpriram medida protetiva. Em São Paulo, os números citados vêm da própria Pax: em Bauru, no interior, 400 casos esclarecidos, quase 300 prisões e mais de 80 veículos recuperados. A reportagem cita o Ceará, mas não traz dados do estado.

Os períodos de apuração não são uniformes (outubro, agosto, janeiro a setembro), e os números por estado não fecham o total de 4,7 mil prisões informado pela empresa. A reportagem não apresenta verificação independente dos resultados.

O apoio da população e os riscos que ela aponta

A reportagem lembra que seis em cada dez homicídios no Brasil ficam sem resposta, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz de julho. É nesse vazio que a Pax posiciona o produto.

Pesquisa da Quaest em parceria com a própria Pax, feita em setembro, indica que 86% dos brasileiros apoiam o uso de IA no combate à violência. Desses, 60% se dizem totalmente favoráveis e 26% mais favoráveis do que contrários. Câmeras com IA para localizar pessoas desaparecidas têm aprovação de 97%, e para identificar veículos roubados ou foragidos da Justiça, 96%.

Entre quem se opõe, o principal motivo é o risco de erro e de identificar pessoas injustamente (16%). Em seguida vêm a crença de que a tecnologia não funciona ou não melhora a segurança (15%), a invasão de privacidade (12%) e a falta de confiança em IA (10%).

O que as secretarias precisam mostrar

Com a expansão de 10 para 200 cidades em menos de um ano, a contratação de IA por governos estaduais passa a depender de métricas comparáveis. Hoje, cada secretaria divulga indicadores em períodos diferentes, e parte dos resultados vem do fornecedor. Para os estados que avaliam contratos semelhantes, a diferença entre um caso esclarecido com ajuda da ferramenta e um que seria resolvido de qualquer forma é o dado que ainda falta nos números públicos.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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