quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Iron Mountain: 86% das empresas tiveram projeto de IA atrasado ou cancelado por problema com dados

Levantamento da Iron Mountain aponta que 86% das organizações ouvidas adiaram ou cancelaram projetos de IA nos últimos 12 meses por preocupações com dados. Quatro em cada dez gastam ao menos 41% do cronograma só preparando informação à mão.

Corredor de servidores em um data center corporativo
Dados dispersos e arquivos antigos travam projetos de IA em 86% das organizações ouvidas pela Iron Mountain. Foto: Pexels / ABNER LOBO

Oitenta e seis por cento das organizações consultadas pela Iron Mountain tiveram projetos de inteligência artificial atrasados ou cancelados nos últimos 12 meses por preocupações com dados, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (28) e reportado pela Exame com base em texto da TI Inside Online. O gargalo não está no modelo nem no orçamento, mas na informação que deveria alimentá-lo.

A pesquisa também mede quanto tempo se perde antes de a IA rodar. Quatro em cada dez organizações dedicam pelo menos 41% do cronograma dos projetos à preparação manual de dados. Entram nessa conta tarefas como localizar arquivos, corrigir inconsistências e reunir informações guardadas em ambientes diferentes.

Onde os dados travam

Para 56% dos participantes, o principal obstáculo são dados espalhados por sistemas desconectados ou por departamentos que não os compartilham. Outros 53% apontam formatos antigos e arquivos físicos como barreira. Só 39% dizem estar na categoria de dados digitalizados e estruturados, ou seja, centralizados, indexados e prontos para análises e para IA.

O contraste com a ambição declarada é grande: 95% afirmam que usar dados para melhorar os resultados do negócio é prioridade. A maior parte das empresas, portanto, quer extrair valor de um acervo que ainda não conseguiu organizar.

Rastro dos dados e risco para agentes de IA

Um número pesa sobre a governança: 70% não conseguem rastrear de forma eficaz a origem ou o percurso dos dados usados por suas aplicações de IA. Sem esse rastro, fica mais difícil identificar erros, investigar resultados e explicar como um sistema chegou a determinada conclusão. A falta de visibilidade também amplia riscos de segurança e de conformidade.

O problema ganha peso com os agentes de IA, que executam tarefas a partir de permissões e integrações com outros sistemas. De acordo com o material, eles exigem dados corretos, atualizados, com regras de acesso definidas e ações que possam ser monitoradas.

O que as empresas são orientadas a fazer

As recomendações citadas na reportagem começam por mapear onde estão os dados, quem os atualiza e quais equipes podem acessá-los. Em seguida, vem priorizar as informações ligadas ao objetivo do projeto e checar a qualidade delas antes de qualquer implantação. O texto também menciona definir critérios para acompanhar resultados e estabelecer regras de acesso, atualização e uso.

Na prática, o custo aparece no cronograma e no caixa: projeto que passa meses na preparação manual adia o retorno prometido ao conselho e consome equipe técnica em tarefa de arquivo. Para o gestor que aprova verba de IA, a pergunta anterior à escolha da ferramenta é se a empresa sabe onde estão seus dados e quem responde por eles.

Há uma ressalva sobre os números. A reportagem da Exame não informa quantas organizações foram ouvidas, em quais países, nem o período e o método da coleta, e observa que os percentuais refletem apenas as participantes, sem valer como estimativa universal. Também não há declarações nominais de executivos ou pesquisadores da Iron Mountain no texto.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.