Richard Massari, diretor de excelência operacional, inovação e tecnologia da Aura Minerals, disse em entrevista ao programa Revolução IA, do NeoFeed, divulgada nesta quarta-feira (28), que a mineradora passou a usar modelos de inteligência artificial para aumentar a quantidade de ouro extraída do minério processado em suas operações. Segundo ele, os ganhos variam entre 5% e 10%, dependendo da unidade, e podem chegar a 10% mais ouro produzido com o uso da tecnologia.
Encontrar ouro exige volume: é preciso processar cerca de uma tonelada de rocha para obter apenas meio grama do metal, e parte do volume identificado ainda se perde ao longo do processamento, segundo a reportagem do NeoFeed sobre a mineradora. Foi para reduzir essa perda que a Aura decidiu aplicar inteligência artificial às etapas de exploração e beneficiamento do minério.
Como os modelos ajustam o processamento em tempo real
Massari afirmou que os modelos de IA analisam as características do material que chega à planta e recomendam ajustes em tempo real na linha de processamento. Outra aplicação calibra automaticamente a dosagem de reagentes químicos usados para separar o metal da rocha, o que reduz as perdas no processo. Na etapa de exploração mineral, a empresa combina dados geológicos e geofísicos para aumentar a precisão na identificação de novas reservas.
A companhia começou a estruturar seus dados em 2022 e, segundo o executivo, desenvolve a maior parte das soluções internamente, sem depender de fornecedores externos. Ele disse ainda que a maioria dos projetos de IA da Aura se paga financeiramente já no primeiro ano de uso.
O lucro recorde que acompanha o avanço da IA
O avanço na aplicação de inteligência artificial ocorre no mesmo período em que a Aura Minerals, listada na B3 sob o ticker AURA33, reportou os melhores resultados financeiros de sua história. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida somou US$ 336 milhões, alta de 76% em relação ao mesmo período do ano anterior, e o Ebitda ajustado chegou a US$ 196,7 milhões, avanço de 85%.
O lucro líquido do trimestre foi de US$ 217,7 milhões, o maior já registrado pela companhia. No primeiro semestre de 2026, a produção somou 157,6 mil onças equivalentes de ouro, 27% mais do que no mesmo período de 2025. Para o ano inteiro, a Aura projeta produzir entre 340 mil e 390 mil onças equivalentes.
Quem sente o efeito dos ganhos de precisão
Para os acionistas da Aura, o resultado liga o investimento em inteligência artificial diretamente ao caixa da empresa: cada ponto percentual de ganho na recuperação de ouro se traduz em mais receita sem a necessidade de abrir novas minas ou ampliar o volume de rocha processada. Como a companhia opta por desenvolver a tecnologia internamente, o retorno financeiro dos projetos também fica mais fácil de medir, segundo Massari, já que não há custo de licenciamento com fornecedores externos.
O caso da Aura contrasta com a dificuldade relatada por boa parte do mercado em comprovar o retorno de projetos de inteligência artificial fora do setor de tecnologia. Na mineração, a métrica é direta: mais ouro extraído da mesma rocha processada, com efeito imediato sobre a margem da operação.



