A Endeavor Brasil anunciou nesta quarta-feira (28) a primeira turma do Scale-Up, programa de aceleração que ficou dois anos parado e volta com foco em startups de inteligência artificial. Segundo o NeoFeed, são 17 empresas AI-native, a maioria fundada entre 2024 e 2026.
Juntas, elas captaram em venture capital um valor que a matéria apresenta de duas formas: cerca de R$ 219 milhões no resumo e pouco mais de R$ 240 milhões no corpo do texto. O NeoFeed não explica a diferença. Entre os investidores citados estão Prosus Ventures, Canary, ONEVC e o programa a16z speedrun.
Uma turma com receita ainda incipiente
A expectativa de faturamento somado das 17 empresas em 2026 é de quase R$ 200 milhões. No ano passado, quase metade delas não registrou receita alguma. As áreas vão da infraestrutura de IA à saúde e ao turismo.
A diretora-geral da Endeavor Brasil, Maria Teresa Fornea, disse que a rede aprova de 12 a 15 empresas por ano e que o Scale-Up amplia o acesso da organização a mais negócios em estágio inicial. Ela afirmou ainda que, na comparação com turmas anteriores, as novas empresas crescem quase o dobro, mas os números detalhados ainda precisam ser apresentados.
O programa dura cinco meses, e a Endeavor avalia manter parte do suporte por mais tempo. Para 2027, estão previstas ao menos três novas turmas, com temas como agricultura, deep tech, biotecnologia e cibersegurança.
Seleção feita com gente de fora
Nas edições anteriores, a escolha era interna. Desta vez, 80 empresas foram pré-selecionadas e passaram por bancas com membros da rede de empreendedores, mentores e investidores. Participaram Stelleo Tolda, do Mercado Livre, Paulo Veras, cofundador da 99, e Ricardo Kanitz, da Spectra.
A Endeavor também desenvolveu o MCP Server Endeavor, ferramenta que dá acesso, por meio dos modelos de linguagem que os fundadores já usam, ao conteúdo de mais de 3 mil horas de mentorias. Ela orienta sobre precificação, estratégia comercial e expansão de mercado e indica mentores da rede para problemas específicos. Parte do agendamento com mentores pode ser automatizada.
O que a turma recebe e o que não recebe
O braço de investimento da Endeavor, o Scale-Up Ventures, tem R$ 160 milhões sob gestão para coinvestir em empresas em estágio inicial. Estar no programa pode abrir caminho para um aporte, mas Fornea afirmou que o Scale-Up é uma porta de entrada e não uma garantia de investimento.
Para as 17 startups, o ganho imediato é acesso a mentores, a investidores e a uma ferramenta de consulta ao acervo da Endeavor. Para a organização, a retomada é uma forma de olhar para empresas antes de chegarem a estágios mais avançados de crescimento. O teste virá com o faturamento de 2026: a meta de quase R$ 200 milhões, partindo de uma turma em que muitas ainda não vendiam no ano passado, será o primeiro indicador de que a aposta em IA nativa se paga.



