segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · Edição diária

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Itaú paga R$ 2,92 bilhões pela NeoSpace para treinar IA com dados de 70 milhões de clientes

O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, disse que a compra da NeoSpace eleva em dez pontos percentuais a acurácia dos modelos do banco e evita depender de fornecedores estrangeiros de inteligência artificial.

Fachada de agência do Itaú Unibanco
Itaú pagou R$ 2,92 bilhões pela compra integral da NeoSpace, startup de inteligência artificial na qual já investia desde 2025. Foto: Pexels

O Itaú anunciou na manhã desta segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, mas o fato novo não é o valor do negócio, já divulgado anteriormente: é a explicação dada pelo presidente do banco, Milton Maluhy Filho, ao NeoFeed, sobre por que decidiu internalizar de vez a startup de inteligência artificial na qual já era investidor desde o início de 2025.

A negociação aconteceu em um momento delicado para a NeoSpace. A startup buscava uma nova rodada de captação de até US$ 250 milhões, com avaliação de US$ 1,25 bilhão, quando o Itaú decidiu comprar a empresa inteira em vez de seguir apenas como sócio minoritário.

Por que o banco preferiu comprar a continuar só investindo

Segundo Maluhy Filho, o banco chegou a um ponto em que precisava escolher entre seguir como cliente relevante da NeoSpace ou buscar uma aproximação maior. "Nós entendemos que era um ponto de oportunidade", disse o executivo ao NeoFeed.

O presidente do Itaú afirmou que os modelos desenvolvidos em parceria com a NeoSpace já mostraram ganhos de dez pontos percentuais em acurácia frente às ferramentas anteriores do banco. Para ele, essa tecnologia deve ajudar o Itaú a deixar de ser "apenas um banco transacional".

O que a tecnologia da NeoSpace oferece que os modelos prontos não têm

O diretor de tecnologia do Itaú, Ricardo Guerra, disse que a aquisição combina o conhecimento de uma equipe de cerca de 80 pesquisadores com os dados de 70 milhões de clientes do banco. A tecnologia da NeoSpace é descrita como Large Data Models (LDM), diferente dos modelos de linguagem genéricos oferecidos por fornecedores como OpenAI, Google e Anthropic, porque é treinada com dados proprietários da própria instituição financeira.

O presidente da NeoSpace, Bruno Pierobon, disse ter conversado com "praticamente todos os bancos globais" antes do negócio e afirmou que o Brasil está na vanguarda da aplicação de inteligência artificial no setor financeiro. Segundo ele, foi difícil encontrar uma instituição com o "volume de dados, vontade e visão" do Itaú. Pierobon e os demais fundadores da NeoSpace, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Almeida, já tinham vendido outra empresa ao banco: a Zup, comprada em 2019 por mais de R$ 500 milhões. Com o novo negócio, Pierobon passa a ser sócio e diretor do Itaú, mas continua no comando da NeoSpace, que seguirá operando como unidade independente.

O prazo para a tecnologia chegar a todos os clientes do banco

A plataforma i.ai do Itaú, hoje com 300 mil usuários, deve chegar a 3 milhões até o fim de 2026, quando a meta é alcançar toda a base de clientes do banco. Testes iniciais em crédito, combate a fraudes e atendimento já mostraram, segundo o Itaú, ganhos de eficiência superiores aos obtidos com modelos de linguagem tradicionais.

O negócio reforça a disputa entre os grandes bancos brasileiros por tecnologia própria de inteligência artificial, em vez de contratos com fornecedores estrangeiros. Para o Itaú, maior banco privado do país, a aposta é que o controle sobre os dados dos próprios clientes produza modelos mais precisos do que os vendidos por concorrentes internacionais.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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