Bank of America, Blackstone, Citi e Morgan Stanley anunciaram nesta segunda-feira (26) uma operação de financiamento de cerca de US$ 63 bilhões para a Anthropic, dona do assistente Claude, segundo informou o InfoMoney com base em texto do Estadão Conteúdo. O dinheiro será usado para comprar aceleradores de inteligência artificial e equipamentos de rede da Broadcom.
Os equipamentos não serão comprados pela própria Anthropic. De acordo com a reportagem, eles serão alugados à empresa para ampliar sua capacidade computacional. As entregas devem começar em 2027.
Como a dívida foi dividida
A estrutura separa os financiadores em duas camadas de risco. Bank of America, Citi e Morgan Stanley ficam com a parcela de garantia prioritária, a que tem preferência no recebimento. A Blackstone é a única responsável pela parcela de garantia de segundo nível, que fica atrás da primeira na fila de pagamento e, por isso, assume mais risco.
O texto do InfoMoney não informa o valor de cada parcela nem as taxas da operação. Também não detalha o prazo do aluguel ou quanto a Anthropic pagará por ele.
Hock Tan, CEO da Broadcom, afirmou que a demanda por computação para IA continua crescendo em ritmo extraordinário. Na avaliação dele, a operação confirma que há capital disponível para financiar esse crescimento e que a Broadcom tem uma posição única para viabilizá-lo.
O mesmo dia do pedido de IPO
O anúncio saiu no mesmo dia em que a Anthropic registrou na SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, a proposta de oferta pública primária de ações. A reportagem não informa o tamanho do IPO, o preço das ações nem a avaliação da empresa.
A coincidência de datas mostra o desenho financeiro que sustenta a expansão: parte da infraestrutura passa a ser bancada por terceiros e alugada, em vez de comprada com o caixa da companhia. Quem empresta fica com o equipamento como garantia e recebe pelo uso.
O que muda para o mercado de chips e para quem aluga nuvem
Para a Broadcom, a operação garante um comprador financiado para uma encomenda de grande volume antes mesmo da entrega, prevista para 2027. Para os bancos e para a Blackstone, a IA se consolida como destino de crédito de longo prazo, com ativos físicos como lastro.
Para empresas brasileiras que dependem do Claude por API ou contrato corporativo, o efeito é indireto: mais capacidade computacional tende a reduzir o risco de limites de uso e de filas em horários de pico, mas a reportagem não traz nenhuma previsão de preço ou de oferta ao cliente final. O que a operação deixa claro é quanto a disputa por IA passou a depender de crédito: US$ 63 bilhões em equipamento alugado, com entrega marcada só para 2027.



