O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, no domingo (11), um vídeo em que acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) de mentir sobre suas propostas econômicas. Lula disse que um eventual governo do adversário pode cortar benefícios sociais e deixar de conceder reajuste acima da inflação para os aposentados.
A polêmica começou com uma reportagem da Folha de S.Paulo, que revelou que a equipe econômica de Flávio estuda um ajuste fiscal de cerca de 2% do Produto Interno Bruto, o equivalente a R$ 250 bilhões, para o início de um eventual governo do senador.
O que a equipe econômica de Flávio estuda
Segundo a reportagem, as medidas em análise incluem desvincular o reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada dos aumentos reais do salário mínimo, corrigindo os dois benefícios apenas pela inflação. O pacote também prevê o fim da vinculação obrigatória de gastos com saúde e educação a percentuais da receita, que passariam a ser corrigidos só pela inflação.
No vídeo, Lula listou programas que, segundo ele, seriam afetados por um corte dessa magnitude: Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, merenda escolar e Gás do Povo. O presidente disse ainda que, pelo plano do adversário, trabalhadores e aposentados ficariam sem aumento real do salário mínimo.
Lula também disse, no vídeo:
Flávio nega corte e promete reajuste real
Flávio Bolsonaro reagiu em vídeo nas redes sociais e rejeitou a acusação. Ele negou que pretenda reduzir recursos para programas sociais ou para aposentadorias e afirmou que vai manter e reajustar anualmente os benefícios assistenciais e as aposentadorias. Segundo o senador, o ajuste fiscal de um eventual governo seu recairia sobre privilégios do setor público, não sobre a população de baixa renda.
A assessoria de Flávio já havia respondido à Folha antes da publicação da reportagem. Segundo a nota, não se pode transformar conversas informais, interpretações de terceiros ou especulações sobre o cenário econômico em posição oficial de uma candidatura.
Quem depende do reajuste acima da inflação
A regra em vigor garante que o piso do INSS, o BPC e o salário mínimo recebam o mesmo aumento real concedido ao salário mínimo, além da correção pela inflação. Se o reajuste desses benefícios passar a seguir só a inflação, como estuda a equipe de Flávio, aposentados que ganham um salário mínimo e beneficiários do BPC deixam de ganhar poder de compra em anos de crescimento econômico, mesmo que o valor nominal do benefício continue subindo todo ano.



