A Meta passou a derrubar automaticamente publicações no Facebook e no Instagram que carregam sinais técnicos de inteligência artificial nos arquivos, mesmo quando o conteúdo não usa IA generativa, segundo reportagem do Poder360 publicada nesta sexta-feira (23). A empresa diz seguir a Resolução 23.755 de 2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe a publicação, a republicação e o impulsionamento pago de conteúdo sintético que use imagem, voz ou manifestação de candidatos entre a meia-noite de 22 de outubro e as 23h59 de 26 de outubro, no horário de Brasília.
O problema, de acordo com o site, é que grande parte dos aplicativos de edição de vídeo e foto grava metadados com assinatura técnica de IA mesmo quando o usuário não gerou nem alterou a imagem com inteligência artificial. Esse sinal já é suficiente para o sistema automático da Meta classificar a publicação como conteúdo sintético e torná-la indisponível no Brasil, independentemente do que de fato aparece no vídeo.
Vídeos reais apagados por engano
O Poder360 documentou três publicações legítimas derrubadas nos primeiros dias da restrição. Um vídeo do próprio site sobre a estratégia digital do deputado André Janones, coordenador de campanha de Lula, saiu do Instagram. Uma reportagem sobre a garrafa de whisky avaliada em R$ 500 mil recebida pelo presidente também foi retirada do ar. O mesmo aconteceu com um vídeo do projeto "Revelando", apresentado pelo cantor MC Cabelinho, com o candidato Flávio Bolsonaro.
A Meta confirmou ao Poder360, em comunicado de 21 de outubro, que aplica a resolução do TSE e retira do ar conteúdos identificados com sinais de inteligência artificial. A empresa não respondeu a perguntas adicionais do site sobre quantas publicações foram removidas por engano nem sobre algum plano para corrigir os bloqueios equivocados antes do fim da votação.
Quem perde alcance na reta final
A restrição continua valendo até as 23h59 do dia 26 de outubro, um dia depois da votação do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, marcada para domingo (25). Enquanto a regra estiver em vigor, qualquer conteúdo novo com sinal técnico de IA envolvendo candidatos ou pessoas públicas pode ser bloqueado nas duas redes, mesmo sem manipulação real de imagem, voz ou fala.
Para campanhas, veículos de imprensa e produtores de conteúdo que editam vídeos nos últimos dias antes da votação, o efeito prático é a perda de alcance sem aviso: a publicação simplesmente deixa de aparecer no Facebook e no Instagram no Brasil, e quem produziu o conteúdo muitas vezes não descobre o motivo. Aplicativos populares de edição que inserem metadados de IA por padrão colocam em risco até vídeos jornalísticos ou de campanha que não usaram geração por inteligência artificial em nenhuma etapa.


