Os investidores devem manter uma postura cautelosa nesta sexta-feira (23), no último pregão antes do segundo turno das eleições, segundo o Valor Econômico. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatados em 50% dos votos válidos, e o resultado se soma à aversão a risco no exterior, alimentada pelo temor com o alto endividamento das empresas que financiam a expansão da inteligência artificial.
Aliados de Flávio minimizam o resultado da pesquisa, mas reconhecem que a eleição não está ganha, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Integrantes do grupo bolsonarista avaliam que os levantamentos subestimam a intenção de voto no senador, do mesmo jeito que ocorreu no primeiro turno da disputa presidencial. Eles citam pesquisas internas da própria campanha que ainda mostram o bolsonarista na frente do petista, com vantagem maior do que a registrada pelo Datafolha.
O levantamento, por outro lado, animou a campanha de Lula, por indicar tendência de alta do petista e estagnação do adversário. Aliados mais pragmáticos do presidente, no entanto, lembram que ele segue em desvantagem na média das pesquisas.
O debate que ainda pode mudar o páreo
O mercado deve ficar atento a qualquer novidade ou declaração capaz de alterar a percepção do eleitor nos próximos dias, de acordo com o Valor. O debate na TV Globo nesta noite é um desses pontos de atenção, e os dois candidatos passaram a véspera ensaiando suas participações.
A inflação que o mercado também vigia
Em paralelo à disputa eleitoral, os investidores monitoram o IPCA-15, prévia da inflação oficial do país. Pela mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, o indicador deve desacelerar para 0,44% em outubro, depois de ter registrado 0,70% em setembro. As estimativas individuais variam de 0,33% a 0,56%.
Quem sente o tranco da aversão a risco global
No exterior, o movimento de forte aversão a risco que pressionou os ativos na véspera, com queda relevante em empresas de comunicação e tecnologia, deve continuar nesta sessão, segundo os futuros negociados em Nova York. Por volta das 8h, o futuro do Dow Jones caía 0,62% e o do S&P 500 perdia 0,32%, enquanto o do Nasdaq operava estável. O gatilho é o temor dos investidores com o volume de dívida que empresas de inteligência artificial estão tomando para financiar data centers e infraestrutura de processamento.
Esse movimento chega ao Brasil em um momento de indecisão eleitoral, e tende a limitar a disposição de gestores para apostar em ativos locais enquanto o resultado do segundo turno não é conhecido. Os preços do petróleo seguem o sentido contrário: o Brent avança a US$ 114 por barril, puxado por riscos de novas hostilidades entre Estados Unidos e Irã e por ataques adicionais à infraestrutura de energia da Arábia Saudita, fator que também entra na conta de quem opera no mercado brasileiro nesta sexta-feira.


