A Meta informou, em comunicado atualizado nesta quarta-feira (21), que aplicativos comuns de edição de fotos, vídeos e áudios podem inserir sinais técnicos nos arquivos que o sistema de moderação do Instagram e do Facebook interpreta como conteúdo gerado por inteligência artificial, segundo o Poder360. O aviso chega às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), período em que a janela de restrição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra conteúdo sintético está em vigor.
A Resolução nº 23.755/2026 do TSE proíbe a publicação, a republicação e o impulsionamento de conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que usem imagem, voz ou qualquer manifestação de candidatos ou de outras pessoas públicas sem o aviso explícito de que o material foi fabricado ou manipulado. A regra vale das 0h de quinta-feira (22) até as 23h59 de segunda-feira (26), no horário de Brasília, um período que cobre 72 horas antes da votação e 24 horas depois do encerramento do pleito.
Como o sistema confunde edição comum com IA
Segundo a Meta, o próprio ato de editar uma foto, um vídeo ou um áudio em programas de uso cotidiano pode deixar marcas digitais que a plataforma lê como prova de manipulação por inteligência artificial. A empresa afirma que o sistema identifica automaticamente esses sinais nos arquivos enviados e restringe a publicação enquanto a regra eleitoral estiver ativa, mesmo quando o conteúdo não foi de fato gerado ou alterado por um sistema de IA.
A companhia afirmou ainda que os conteúdos temporariamente indisponibilizados voltarão a ficar visíveis no Brasil depois do fim da janela de restrição, sem indicar se as publicações atingidas pelo bloqueio automático recuperam o alcance perdido durante os dias de eleição.
O volume de posts já travados no primeiro turno
Entre 1º e 5 de outubro, durante o primeiro turno, a Meta bloqueou automaticamente 206.910 conteúdos por causa das regras eleitorais contra material sintético, de acordo com o Poder360. O número mostra a escala do problema relatado por usuários e campanhas, que reclamam de publicações legítimas retiradas do ar por engano.
O Ministério Público Federal (MPF) deu 48 horas para a Meta responder sobre recomendações relacionadas ao tema, dentro da fiscalização que o órgão e o TSE fazem sobre o comportamento das plataformas na reta final da eleição.
Quem fica sem alcance até a noite de segunda-feira
Candidatos, assessores de campanha e qualquer usuário que publicar fotos ou vídeos editados por aplicativos comuns correm o risco de ver o conteúdo bloqueado até as 23h59 de segunda-feira (26), mesmo sem usar inteligência artificial para alterar a imagem de alguém. Para quem depende de redes sociais para mobilizar eleitores no fim de semana de votação, o efeito prático é o de uma suspensão temporária, já que a Meta trata o sinal de edição como indício de conteúdo sintético enquanto a resolução do TSE estiver em vigor.
Passada a meia-noite de segunda para terça-feira, as publicações retidas voltam a ficar disponíveis no Brasil, segundo a empresa, mas sem garantia de que o alcance perdido durante a eleição seja recuperado depois.


