A Meta economizou US$ 3,9 bilhões em impostos federais nos Estados Unidos em 2025 ao classificar data centers de inteligência artificial como projetos experimentais, segundo reportagem do New York Times publicada em 29 de setembro de 2026 e replicada pela Folha de S.Paulo. A cifra é quase o dobro dos US$ 2 bilhões economizados em 2024 e supera em mais de cinco vezes os US$ 700 milhões de 2023.
O mecanismo usado pela empresa é o crédito fiscal de pesquisa e experimentação, criado em 1981 pelo então deputado James Shannon para incentivar companhias que arriscam capital em testes com chance real de fracasso. Shannon disse ao New York Times que o uso atual do benefício foi muito além do que qualquer pessoa poderia ter imaginado quando o crédito foi criado.
Como o rótulo de pilot model vira imposto a menos
Para se enquadrar no crédito, a Meta classifica seus data centers de IA como pilot models e trata os chips da Nvidia comprados para essas instalações como material experimental. Entre os projetos citados pela reportagem estão o Prometheus, já parcialmente em operação, e o Hyperion, com plano de escalar até 5 gigawatts de capacidade.
A estratégia tornou a Meta a maior beneficiária do crédito entre as empresas de capital aberto nos Estados Unidos, à frente de rivais que também investem pesado em infraestrutura de inteligência artificial.
A contradição entre o experimento e o negócio principal
Zuckerberg contradisse em público o enquadramento fiscal que sua própria empresa usa internamente. Em janeiro de 2025, disse que os data centers de IA iriam impulsionar os produtos e o negócio principal da Meta, justamente o tipo de uso rotineiro que o crédito de pesquisa e experimentação não deveria cobrir. Em julho do mesmo ano, afirmou que a empresa investiria centenas de bilhões de dólares em computação para construir o que chamou de superinteligência.
A investidores, o tom foi parecido. Zuckerberg disse:
A própria Meta reconhece o risco em seus balanços. A empresa elevou para US$ 18,74 bilhões a reserva para posições fiscais incertas, alta de 45% em dois anos frente aos US$ 12,9 bilhões anteriores, segundo o New York Times. A companhia ainda disputa com o fisco americano US$ 355 milhões relacionados a opções de ações exercidas por Zuckerberg em 2013.
Quem banca o crédito fiscal bilionário
O Comitê Conjunto de Tributação do Congresso americano projeta que o crédito de pesquisa e experimentação vai custar US$ 32,1 bilhões aos cofres públicos em 2025. A Meta sozinha responde por mais de um décimo desse total, segundo o levantamento do New York Times, o que faz do desconto fiscal da empresa um benefício pago, na prática, pelo conjunto dos contribuintes americanos. A Meta já investiu US$ 200 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos, volume que ajuda a explicar a velocidade com que o crédito criado em 1981 passou a pesar em sua contabilidade.



