domingo, 25 de outubro de 2026 · Edição diária

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OEA acompanha falta de ônibus no 2º turno; em Salvador, 544 veículos aptos estavam parados

Missão com mais de 90 observadores de 23 países monitora relatos de frota reduzida em várias regiões. Em Salvador, o Procon-BA encontrou 544 ônibus em condições de rodar parados na garagem de uma empresa.

Passageiros aguardam ônibus em ponto de parada em dia de votação
A missão da OEA acompanha denúncias de redução da frota de ônibus no segundo turno de 2026. Foto: Pexels / Jimmy Liao

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) disse neste domingo (25), em nota nas redes sociais, que acompanha denúncias de redução da frota de ônibus e de dificuldades de deslocamento no segundo turno da eleição presidencial, segundo a Agência Brasil. A organização afirmou que também vai seguir as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o tema.

A nota diz que a missão acompanha as informações divulgadas pela imprensa e as denúncias sobre problemas no transporte público em diferentes localidades do país.

São mais de 90 observadores de 23 países, espalhados por mais de 20 estados e pelo Distrito Federal. A missão é chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da OEA e ex-chanceler do Chile. Em 2022, os observadores haviam registrado atrasos em algumas regiões durante operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Salvador: 544 ônibus aptos na garagem

O caso mais grave citado pela Agência Brasil é o de Salvador. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) mandou restabelecer de imediato a frequência de dia útil, com tarifa gratuita, depois de relatos de corte de mais de 50% no serviço. O Procon-BA encontrou 544 ônibus parados na garagem de uma empresa de transporte, embora estivessem em condições de circular.

De acordo com a reportagem, a Polícia Federal determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, no âmbito da investigação sobre a redução do serviço. A Agência Brasil também relata que algumas seções de Salvador não puderam estender o horário de votação.

São Paulo e Sergipe também foram à Justiça

Em São Paulo, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, ligada à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi à Justiça Eleitoral e afirmou que só 60% da frota circulava, apesar de decisão que exigia 100% dos veículos previstos para dias úteis. A prefeitura disse ter recebido a notificação no sábado (24) e mandado as empresas cumprirem. Afirmou, porém, que ampliar a frota em pouco tempo exigia ajustar escalas de funcionários.

O presidente do TRE-SP, José Antonio Encinas Manfré, disse a jornalistas que a análise da suposta restrição de ônibus cabe ao juiz da primeira zona eleitoral, e não ao tribunal. Em Sergipe, o TRE-SE mandou restabelecer a frota intermunicipal. O Departamento de Infraestrutura Rodoviária (DER-SE) informou que garantiu tarifa gratuita e reforçou a frota com 20 veículos, porque a demanda superou o esperado, inclusive de eleitores que não votaram no primeiro turno.

Houve relatos também em cidades da região metropolitana de São Paulo, em Teresina, na Paraíba, em Alagoas e no Rio de Janeiro. No Pará, passageiros disseram ter dificuldade para embarcar em barcos para a Ilha do Marajó. Voos e balsas no Rio Amazonas também tiveram restrições.

Eleitores que não votaram e a posição dos tribunais

A Agência Brasil relata que muitos eleitores não conseguiram votar depois das 17h, horário original de encerramento. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin prorrogou a votação até as 19h, mas Manfré disse que a determinação chegou formalmente ao TRE-SP às 18h17 e que mais de 80% das seções paulistas já estavam fechadas.

Para o presidente do TRE-SP, a lei fixa o horário de encerramento e não houve prejuízo. Um boletim do tribunal paulista, divulgado às 19h, registrou 308 urnas substituídas, 0,26% das 114.605 usadas no estado. As ações sobre o transporte seguem na Justiça Eleitoral dos estados, e a OEA afirmou que acompanhará as decisões do TSE.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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