O ouro encerrou o pregão desta sexta-feira (30) em forte queda e atingiu o menor valor em cerca de um ano, segundo o Estadão Conteúdo, com informações da Dow Jones Newswires. Na Comex, divisão de metais da Nymex, em Nova York, o contrato para dezembro recuou 3,3% e fechou a US$ 3.898,9 por onça-troy. A cotação ficou abaixo de US$ 4 mil, algo que não ocorria desde setembro de 2025.
A prata foi mais atingida. O contrato para dezembro caiu 5,9%, a US$ 49,276 por onça-troy, o menor patamar desde novembro de 2025.
Semana e mês no vermelho
No acumulado da semana, o ouro perdeu 2,71% e a prata, 2,90%. Em outubro, as perdas chegaram a 6,9% para o ouro e a 13,51% para a prata. O metal que costuma servir de abrigo em momentos de tensão não cumpriu esse papel no mês em que o petróleo subiu 15%, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, conforme a própria CNN Brasil registrou em matéria relacionada.
Por que a IA entrou na conta do ouro
O motor do dia foi a venda generalizada de ações de tecnologia, ligada a dúvidas sobre o tamanho dos gastos em inteligência artificial. A matéria cita os resultados trimestrais abaixo do esperado divulgados na semana por empresas do setor, entre elas Alphabet e Intel.
A consultoria Capital Economics atribui a queda a duas frentes: a expectativa de um Federal Reserve mais duro com os juros e a ansiedade em torno da IA. A casa projeta que o preço recue para a faixa de US$ 3.600 até o fim de 2027. Para a consultoria, o estouro da bolha das ações de IA está prestes a assustar ainda mais os investidores em ouro.
A Saxo aponta outro canal. Com as bolsas em queda, investidores podem vender posições em metais preciosos para cobrir perdas em outros ativos e levantar caixa, o que aumenta o risco de liquidação forçada.
A pressão dos juros e do petróleo
A inflação segue no radar. O petróleo subiu de novo após novos bombardeios no Oriente Médio, enquanto negociações diplomáticas continuam nos bastidores. A DHF Capital afirma que preços de energia mais altos ampliam as apostas em inflação persistente e em política monetária mais apertada, o que pesa sobre o ouro, ativo que não paga juros.
Para quem tem ouro em carteira, seja em fundos, ETFs ou no metal físico, o mês deixou uma perda de quase 7% em dólar. A leitura das casas ouvidas é que o preço agora depende menos de medo geopolítico e mais da trajetória dos juros americanos e do humor das ações de tecnologia, que seguem como o principal termômetro da semana.



