O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, afirmou nesta terça-feira (6), durante o Futurecom 2026, que o estado só vai tratar da redução de ICMS para data centers depois que o Redata for regulamentado. Segundo a cobertura do Convergência Digital, ele calcula que a regulamentação leve no mínimo seis meses, por causa da burocracia do governo, e que a discussão fique para o ano que vem.
A fala esfria uma expectativa do mercado. A indústria pede um corte de 80% a 90% no imposto estadual sobre os equipamentos desses centros de processamento, e investidores esperavam um sinal de São Paulo, o maior mercado do país para esse tipo de infraestrutura. Ramuth disse que não vê como sair algo ainda em 2026.
O que São Paulo quer proteger
O vice-governador disse que o estado dá prioridade a equipamentos ligados a inteligência artificial, como processadores e computadores de alta capacidade, que não têm similar nacional. É uma posição alinhada à defendida pela Abinee, associação da indústria elétrica e eletrônica, de acordo com o Convergência Digital.
Ramuth negou que São Paulo tenha barrado a redução no Confaz, o conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda. Ele reconheceu, porém, que a proposta original mudou bastante ao longo da discussão e que, do jeito que foi apresentada, não era a ideal para o estado.
Reforma tributária entra na conta
O vice-governador admitiu que a reforma tributária pode reduzir os benefícios do Redata no médio e no longo prazo. Ele argumentou que quem decide aportar bilhões em um data center não pensa no curto prazo, e por isso a previsibilidade das regras pesa mais do que um desconto isolado.
Na mesma conversa, Ramuth defendeu que a intervenção do Estado na IA é importante, mas na medida certa, e criticou o projeto em discussão no Senado sobre o tema. Também disse que a Lei Geral de Proteção de Dados, apesar de relevante, precisa de melhorias.
Quem espera e por quanto tempo
Na prática, empresas que avaliam instalar data centers no Brasil têm agora um calendário mais longo: primeiro a regulamentação federal do Redata, com estimativa mínima de seis meses, depois a negociação do ICMS em São Paulo. Projetos que dependem do desconto estadual para fechar a conta ficam sem data para saber o custo final dos equipamentos.
O ponto de atrito segue sendo o desenho do benefício. Enquanto o setor quer um corte amplo, São Paulo sinaliza que vai concentrar o incentivo em itens de IA sem produção nacional, e a reforma tributária pode alterar o valor de qualquer regra fixada agora.



