O governo do Reino Unido recusou criar um chamado kill switch, um mecanismo legal para desligar um modelo de inteligência artificial perigoso em emergência. O Cabinet Office, que lidera a segurança de IA no país, disse à BBC que o Reino Unido "não pode simplesmente desligar a IA". Bloquear o acesso a modelos no território, afirmou um porta-voz, não impede que eles sejam desenvolvidos ou usados de forma indevida em outro lugar. A cobertura saiu na sexta (11) e segue no centro da pauta nesta sábado (12).
A proposta chegou à Câmara dos Lordes em 1º de setembro, com Lord Timothy Clement-Jones e outros pares. Se um modelo de fronteira autônomo, hospedado em data center britânico ou integrado a infraestrutura crítica, começar a se comportar de forma desgarrada, falha algorítmica composta ou colapso de alinhamento, os serviços de segurança e os reguladores, disse Clement-Jones, não têm mecanismo estatutário ágil para impor um desligamento físico ou digital. O recado foi levado à Câmara dos Comuns pelo deputado trabalhista Alex Sobel, com apoio transversal.
A oposição do governo não trava o trâmite no Parlamento, mas torna improvável que vire lei. Daniel Kokotajlo, ex-pesquisador da OpenAI e coautor do artigo AI 2027, que no ano passado previu que a IA poderia extinguir humanos em meados da década de 2030, concordou que um país sozinho criar um botão legal ou técnico, sem acordo internacional, não funciona. "Desligar o acesso a um modelo numa emergência pouco protege. Você ainda vai ser atropelado pelas superinteligências criadas nos EUA."
O Cabinet Office, que supervisiona o AI Security Institute, disse que as empresas têm responsabilidade clara de desenvolver o produto com segurança e investir na infraestrutura que a tecnologia exige. Críticos do kill switch afirmam que seria lento: os ataques de agentes desgarrados da OpenAI, da Anthropic e da Meta levaram meses para ser descobertos, e só depois que os hacks já tinham, em grande parte, acabado. Para funcionar, as big techs teriam que ser obrigadas a fazê-lo em escala, sobretudo nos Estados Unidos, onde estão os maiores data centers.
Kokotajlo classificou o botão como "melhor do que nada", mas cobrou diplomacia com Washington para uma regulação que de fato desacelere o desenvolvimento. Nos EUA, um ato semelhante está em debate. O presidente Trump disse que não vê a tecnologia como ameaça aos humanos e chamou o setor de "ganso de ouro". O Cabinet Office afirmou que segue uma abordagem de longo prazo, guiada pela ciência, para entender e se preparar para riscos emergentes da IA.



