A Suno, geradora de música por inteligência artificial, admitiu em petição judicial que obteve áudio do YouTube para treinar seus modelos, usando a ferramenta YT-DLP. O The Verge repercutiu o trecho nesta sexta-feira (11), às 15h24 UTC, a partir da cobertura do Music Business Worldwide. É a primeira vez que a casa confirma, no próprio processo, o raspar de áudio da plataforma de vídeo.
A frase está na resposta à primeira queixa emendada da UMG Recordings, da Capitol Records e da Sony Music Entertainment, no tribunal federal de Massachusetts. O parágrafo 49 da queixa das gravadoras alegava que a Suno usou YT-DL e YT-DLP para contornar a criptografia do YouTube e raspar gravações protegidas. A Suno, no texto, nomeia só o YT-DLP. O documento tem 26 páginas e foi protocolado em 1º de setembro.
A Universal, comandada por Lucian Grainge, e a Sony pediram ao juiz para incluir a acusação de stream ripping sob a Digital Millennium Copyright Act. O juiz F. Dennis Saylor IV autorizou em 18 de agosto. A Suno contesta se as gravadoras têm legitimidade para essa parte da ação e alega fair use: o treino, diz, é um processo de bastidor, invisível ao público, a serviço de um produto novo que não infringe. "Isso é fair use por excelência."
A casa também acusa as gravadoras de atividade anticompetitiva e monopólio ilícito sobre a produção e a comercialização de música. Admite que o modelo viu "dezenas de milhões" de gravações de fonte pública e que mais de 12 milhões de usuários geraram arquivo no produto. Nega que a semelhança das saídas com o catálogo prove que o treino usou as gravações do processo. A Warner Music já fechou acordo com a Suno em novembro de 2025. UMG, Capitol e Sony seguem no banco.
A descoberta de fatos termina em 30 de setembro. As duas partes devem pedir julgamento sumário sobre fair use. A Suno pediu a extinção de todas as pretensões, com honorários. No produto, promete modelos novos em parceria com a indústria e já fechou licença com a BMG. O recado do tribunal é outro: o treino com YouTube saiu do rumor e entrou na petição.



