O painel “Infraestrutura suportando o futuro dos serviços públicos”, realizado no SECOP 2026, funcionou mais como alerta do que como vitrine de produtos. Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev, resumiu o problema: “o nível da nossa ambição não está à altura do nosso desafio.” Segundo ele, o Brasil precisa construir infraestrutura própria agora, para ter liberdade de escolha em inteligência artificial nos próximos anos, em vez de depender apenas da capacidade alugada de terceiros.
Hermando Albuquerque, presidente da Telebras, discordou do diagnóstico de atraso, mas concordou com a urgência. Segundo ele, o país não está tecnologicamente defasado: o problema é de escala. A estatal estima que o Brasil precisará de cerca de 400 gigawatts de energia instalada para sustentar a demanda de data centers e computação de inteligência artificial, quase o dobro da capacidade atual.
Os números da conectividade
A Telebras opera uma rede óptica de 32 mil quilômetros. Mesmo assim, menos de 20% dos municípios remotos do Amazonas têm conectividade adequada, e o Tocantins mapeou 612 localidades que ainda precisam ser conectadas. Robson Roberto Duarte de Alencar, secretário de Transformação Digital de Mato Grosso do Sul, ampliou a definição de infraestrutura durante o painel: para ele, garantir acesso ininterrupto ao serviço público exige mais do que cabos e servidores, e passa por segurança e acessibilidade.
A resposta do governo, duas semanas depois
Duas semanas depois do seminário, o governo federal anunciou o pacote do PBIA: um supercomputador de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Norte, uma cooperação de R$ 1,276 bilhão com a China para o desenvolvimento de modelos em português e a estruturação da Nuvem Brasileira. O planejamento do setor elétrico, porém, ainda não confirmou se vai incorporar no mesmo ritmo os 400 GW de energia citados por Albuquerque.



