sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Brasil concentra 48% dos data centers da América Latina e 71% do que está em construção

Com 750 MW já instalados, o país atrai aportes como o US$ 1,2 bilhão da Ascenty em São Paulo, mas a meta de 3 GW até 2032 depende da volta do Redata.

Racks de servidores iluminados em data center
Hyperscalers devem investir US$ 725 bilhões em 2026, 75% em infraestrutura de IA, e o Brasil quer uma fatia. Foto: Pexels

As cinco maiores empresas de nuvem do mundo (Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle) preparam um investimento conjunto de US$ 725 bilhões em 2026, alta de cerca de 77% sobre 2025. Cerca de 75% desse montante vai direto para infraestrutura de inteligência artificial. No mercado imobiliário industrial brasileiro, a dúvida é qual fatia desse dinheiro chega ao país.

Os números atuais ajudam o Brasil. Segundo levantamento da BrazilCham, o país já concentra 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e 71% da capacidade em construção, com 750 MW em operação. É de longe o maior mercado da região, o único com escala para receber campi de centenas de megawatts.

O aporte da Ascenty

O exemplo mais recente é a Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure. A empresa anunciou a construção de quatro data centers preparados para IA na região de São Paulo, com investimento de US$ 1,2 bilhão e 150 MW já pré-locados antes da conclusão das obras. O volume de pré-aluguel indica que a demanda por capacidade de IA no país corre à frente da oferta.

A energia que sobra no Nordeste

O segundo argumento a favor do Brasil é o setor elétrico. Mais de 20% da geração renovável do Nordeste vem sendo desligada por falta de demanda e de capacidade de transmissão, energia limpa e barata que os novos complexos poderiam absorver. Análise do BTG Pactual citada pela BrazilCham vê no país a chance de virar um "paraíso dos data centers", com contratos de energia mais curtos (antes, superavam dez anos) e maior confiabilidade da rede.

O que trava: o Redata

O terceiro fator é fiscal, e é aí que o país tropeça. O Redata, regime especial que isentava projetos de data centers de PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação, caducou em 25 de fevereiro sem votação no Senado. Se o programa avançar, a BrazilCham projeta investimentos locais de até R$ 100 bilhões por ano e capacidade de 3 GW até 2032, quatro vezes o parque atual. Sem ele, os custos operacionais seguem de 20% a 30% acima da média internacional, e parte dos projetos migra para Chile e México.

De acordo com analistas do setor, o Brasil já reúne energia, mercado e demanda pré-contratada. Falta apenas a aprovação do Redata pelo Senado.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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