As cinco maiores empresas de nuvem do mundo (Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle) preparam um investimento conjunto de US$ 725 bilhões em 2026, alta de cerca de 77% sobre 2025. Cerca de 75% desse montante vai direto para infraestrutura de inteligência artificial. No mercado imobiliário industrial brasileiro, a dúvida é qual fatia desse dinheiro chega ao país.
Os números atuais ajudam o Brasil. Segundo levantamento da BrazilCham, o país já concentra 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e 71% da capacidade em construção, com 750 MW em operação. É de longe o maior mercado da região, o único com escala para receber campi de centenas de megawatts.
O aporte da Ascenty
O exemplo mais recente é a Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure. A empresa anunciou a construção de quatro data centers preparados para IA na região de São Paulo, com investimento de US$ 1,2 bilhão e 150 MW já pré-locados antes da conclusão das obras. O volume de pré-aluguel indica que a demanda por capacidade de IA no país corre à frente da oferta.
A energia que sobra no Nordeste
O segundo argumento a favor do Brasil é o setor elétrico. Mais de 20% da geração renovável do Nordeste vem sendo desligada por falta de demanda e de capacidade de transmissão, energia limpa e barata que os novos complexos poderiam absorver. Análise do BTG Pactual citada pela BrazilCham vê no país a chance de virar um "paraíso dos data centers", com contratos de energia mais curtos (antes, superavam dez anos) e maior confiabilidade da rede.
O que trava: o Redata
O terceiro fator é fiscal, e é aí que o país tropeça. O Redata, regime especial que isentava projetos de data centers de PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação, caducou em 25 de fevereiro sem votação no Senado. Se o programa avançar, a BrazilCham projeta investimentos locais de até R$ 100 bilhões por ano e capacidade de 3 GW até 2032, quatro vezes o parque atual. Sem ele, os custos operacionais seguem de 20% a 30% acima da média internacional, e parte dos projetos migra para Chile e México.
De acordo com analistas do setor, o Brasil já reúne energia, mercado e demanda pré-contratada. Falta apenas a aprovação do Redata pelo Senado.



