quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Brasil concentra 48% dos data centers da América Latina — e 71% do que está em construção

Com 750 MW instalados, o país atrai aportes como os US$ 1,2 bilhão da Ascenty em São Paulo. Sem o Redata, a meta de 3 GW até 2032 fica em risco.

Racks de servidores iluminados em data center
Hyperscalers devem investir US$ 725 bilhões em 2026, 75% em infraestrutura de IA — e o Brasil quer uma fatia. Foto: Pexels

As cinco maiores empresas de nuvem do mundo — Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle — preparam um investimento conjunto de US$ 725 bilhões em 2026, alta de cerca de 77% sobre 2025. Aproximadamente 75% desse montante vai diretamente para infraestrutura de inteligência artificial. A pergunta que move o mercado imobiliário-industrial brasileiro é quanto disso pousa por aqui.

Os números atuais são favoráveis. Segundo levantamento da BrazilCham, o Brasil já concentra 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e 71% da capacidade em construção, com 750 MW em operação. É, de longe, o maior mercado da região — e o único com escala para receber campi de centenas de megawatts.

O aporte da Ascenty

O exemplo mais recente é a Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure, que anunciou a construção de quatro data centers preparados para IA na região de São Paulo, com investimento de US$ 1,2 bilhão e 150 MW já pré-locados antes da conclusão das obras. O pré-aluguel nessa proporção indica que a demanda por capacidade de IA no país está à frente da oferta.

A energia que sobra no Nordeste

O segundo argumento a favor do Brasil é o setor elétrico. Mais de 20% da geração renovável do Nordeste vem sendo desligada por falta de demanda e de capacidade de transmissão — energia limpa e barata que os novos complexos poderiam absorver. Análise do BTG Pactual citada pela BrazilCham vê a oportunidade de o país virar um “paraíso dos data centers”, com contratos de energia mais curtos (antes superavam dez anos) e melhor confiabilidade da rede.

O que trava: o Redata

O terceiro fator é fiscal, e é onde o país tropeça. O Redata, regime especial que isentava projetos de data centers de PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação, caducou em 25 de fevereiro sem ser votado pelo Senado. Se o programa avançar, a BrazilCham projeta investimentos locais de até R$ 100 bilhões por ano e capacidade de 3 GW até 2032 — quatro vezes o parque atual. Sem ele, os custos operacionais seguem 20% a 30% acima da média internacional, e parte dos projetos migra para o Chile e o México.

O Brasil tem a energia, o mercado e a demanda pré-contratada. O que falta é a assinatura do Senado.
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Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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