sexta-feira, 11 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Polícia britânica lança chatbot de IA para chamada que não é emergência

A Merseyside Police estreou o Bobbi no site. O superintendente Tony Fairhurst disse à BBC que 20% das ligações não precisam de operador e que o 999 continua intacto.

O superintendente Tony Fairhurst, da polícia de Merseyside, em uniforme, na delegacia.
Superintendente Tony Fairhurst, da Merseyside Police: o chatbot Bobbi atende demanda que não é emergência e libera o operador humano. Foto: Merseyside Police / BBC

A polícia de Merseyside, no noroeste da Inglaterra, lançou nesta sexta-feira (11) o Bobbi, um assistente virtual de inteligência artificial no site da corporação para consulta que não é emergência. O superintendente Tony Fairhurst disse à BBC Radio Merseyside que a força é a primeira da região a colocar o chatbot no ar. Cerca de 20% das ligações, afirmou, não precisam de operador policial. O Bobbi entra para liberar tempo de quem atende o 999.

A corporação recebe cerca de 2 mil chamadas por dia. Fairhurst insistiu que o sistema não substitui o 999 nem o 101. "Quando alguém liga 999, não interfere no processo de emergência." O usuário entra no site, o bot pergunta se o caso é urgente. Se for, manda ligar 999. Se não for, pede nome, e-mail e telefone e descreve o problema. A resposta sai automaticamente, com o encaminhamento certo.

O 101, o número britânico para demanda que não é emergência, "não vai embora", disse Fairhurst. Continua com operadores de resolução de contato todos os dias. O chatbot é extra para quem se sente à vontade no digital e quer informação mais rápida. Assim o atendente humano fica livre para quando alguém precisa do 999 e a linha tem que cair na hora.

Sobre risco, Fairhurst afirmou que o dado no chatbot é "tão seguro quanto qualquer outro sistema policial". Preencher informação não é obrigatório. O próprio bot, segundo ele, reconhece se a situação escala e pede para ligar 999. Em sofrimento de saúde mental, a ferramenta foi treinada para interpretar o estado da pessoa, detectar agitação e, se preciso, passar a um operador digital. Também lê erro de grafia e conversa em outras línguas além do inglês.

O Bobbi já passou por teste na Thames Valley Police e na Hampshire and Isle of Wight Constabulary. A aposta de Merseyside é simples: a IA filtra o que não é polícia, o humano fica no que é. O recado de Fairhurst é que o 999 não muda. Muda o caminho de quem ligava à toa.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.