O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse a aliados estar arrependido de ter chamado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de "ditador" e "tirano" no ato de 7 de Setembro de 2025. Segundo interlocutores ouvidos pelo Estadão/Broadcast, ele prepara para a manifestação desta segunda (7), na Avenida Paulista, um discurso de tom mais institucional e sem ataques pessoais ao magistrado.
A mudança de tom não significa silêncio sobre o Supremo. A orientação é criticar a atuação institucional da Corte e cobrar apuração de suspeitas envolvendo seus integrantes, sem repetir os ataques nominais do ano passado. Nesta semana, Tarcísio afirmou que o STF está "sob suspeição" e que a confiança na instituição não volta com "silêncio e corporativismo".
"O momento agora é outro"
No 7 de Setembro de 2025, também na Paulista, Tarcísio disse que não aceitaria a "ditadura de um poder sobre o outro" nem que "um ditador paute o que devemos fazer". "Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes", afirmou na época. Fontes ligadas ao governador dizem que o tom refletiu o ambiente do ato. "Ia ficar ruim para ele ali se não fizesse críticas duras", resumiu um interlocutor.
Na campanha à reeleição, aliados repetem que "o momento agora é outro". A aposta é preservar o eleitor de centro sem romper com a base bolsonarista. Pesquisa Atlas/Estadão de 3 de setembro colocou Tarcísio com 51,1% das intenções de voto no governo paulista, ante 39,9% de Fernando Haddad (PT).
Paulista com Flávio e Nunes
Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) devem participar do ato organizado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A CNN Brasil apurou que a intenção do governador é evitar ofensas nominais e falar em reconciliação e recuperação de confiança nas instituições. Na quarta (2), Tarcísio disse que o mote do dia deveria ser a "reconciliação com um caminho de esperança".
Mesmo após falar em STF "sob suspeição", o governador evitou defender renúncia de Moraes e classificou eventual saída como "questão de foro íntimo". Até a publicação desta nota, a campanha de Flávio tratava a Paulista como teste de mobilização após o lançamento no Rio ter ficado aquém das expectativas de aliados.



