quinta-feira, 27 de agosto de 2026 · Edição diária

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69% da classe A já usa inteligência artificial no Brasil, mas só 16% das classes D e E, mostra CGI.br

A pesquisa TIC Domicílios 2025, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 69% da classe A já usa inteligência artificial generativa no país, contra 16% nas classes D e E. Uma coluna do JOTA mostra que quase 85% desse grupo mais pobre já ouviu falar da tecnologia, mas ainda não chegou a usá-la.

Pessoa usa smartphone em área de baixa renda no Brasil
Pesquisa do CGI.br mostra que o uso de inteligência artificial cai para 16% entre as classes D e E, ante 69% na classe A. Foto: Pexels / cottonbro studio

A pesquisa TIC Domicílios 2025, divulgada em 9 de dezembro de 2025 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra que 69% das pessoas da classe A já usam ferramentas de inteligência artificial generativa no país. Entre as classes D e E, essa proporção cai para 16%. Uma coluna do JOTA, na seção Radar de Evidências, acrescenta um dado a essa fotografia: segundo o texto, 84,6% das pessoas dessas mesmas classes D e E já ouviram falar da tecnologia, mas não chegam a usá-la no dia a dia.

O levantamento do CGI.br, feito com apoio do Cetic.br e do NIC.br, ouviu 27.177 domicílios e 24.535 pessoas entre março e agosto de 2025. Ao todo, 32% dos usuários de internet no país, cerca de 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, declararam já ter usado alguma ferramenta de inteligência artificial generativa.

O tamanho do fosso entre classes

A distância entre quem tem mais e quem tem menos renda se repete quando o corte é por escolaridade. Entre as pessoas que concluíram o ensino superior, 59% usam IA generativa. Entre quem tem apenas o ensino fundamental, a taxa cai para 17%, próxima da registrada nas classes D e E.

Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, disse que a pesquisa expôs diferenças de apropriação da tecnologia entre grupos de renda e escolaridade.

Fabio Storino, coordenador da pesquisa, disse que a expansão da inteligência artificial generativa evidencia os desafios da inclusão digital no país.

Pix chega a 98% da classe A e a 60% das D e E

O CGI.br também registrou avanço na conectividade em geral. Em 2025, 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet fixa, três pontos percentuais a mais que em 2024, e a banda larga fixa chegou a 76% dos domicílios, ante 71% no ano anterior. Mesmo com esse avanço, o uso de outras tecnologias digitais segue estratificado por renda: 98% dos usuários de internet da classe A fazem pagamentos via Pix, proporção que cai para 60% nas classes D e E.

O padrão sugere que o conhecimento sobre a ferramenta deixou de ser a barreira: 84,6% das pessoas das classes D e E já ouviram falar dela, segundo o JOTA. O obstáculo está em outro ponto, como a qualidade da conexão, o custo de aparelhos mais recentes ou a familiaridade com ferramentas digitais mais complexas.

Quem fica de fora do ganho de produtividade

Se a adoção de inteligência artificial continuar concentrada nas faixas de renda mais altas, o ganho de produtividade e de renda prometido pela tecnologia tende a se acumular entre quem já parte na frente. É a leitura que o próprio CGI.br faz dos números: sem uma política pública ou uma iniciativa privada que amplie o acesso, a distância entre quem usa e quem não usa inteligência artificial pode se somar às desigualdades de renda e escolaridade já registradas no país.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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