quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

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TSE convoca OpenAI, Meta e X depois que sete IAs ranquearam candidatos em 90% das respostas

Levantamento do ITS Rio com o Ministério Público Federal mostra que ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude indicaram nomes à Presidência em 9 de cada 10 respostas, contrariando a resolução que o TSE publicou em março.

Tela de smartphone com aplicativo de chatbot de inteligência artificial aberto
Sete ferramentas de IA testadas indicaram nomes de candidatos em 90% das respostas, segundo levantamento do ITS Rio e do Ministério Público Federal. Foto: Pexels / Airam Dato-on

O Tribunal Superior Eleitoral convocou representantes da OpenAI, da Meta e do X para reuniões nesta segunda e terça-feira depois de identificar que modelos de inteligência artificial estão descumprindo a resolução da Corte sobre uso de IA nas eleições de 2026, segundo reportagem do jornal O Globo. Participaram dos encontros representantes do ChatGPT, do Facebook, do WhatsApp e da rede social de Elon Musk.

A resolução foi publicada pelo TSE em março e proíbe que sistemas de inteligência artificial façam ranking, recomendem, sugiram ou priorizem candidatos, campanhas, partidos políticos, federações ou coligações. A norma também veda que essas ferramentas emitam opinião, indiquem preferência eleitoral ou recomendem voto em qualquer nome disputando a Presidência ou outros cargos.

Sete IAs ranquearam candidatos em 90% das respostas

O motivo da convocação foi um levantamento do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, o ITS Rio, feito em parceria com o Ministério Público Federal. A pesquisa testou sete ferramentas, ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude, e encontrou ranqueamento de candidatos em 90% das respostas dadas a usuários que perguntaram em quem votar.

O percentual mostra que a maioria das plataformas segue oferecendo algum tipo de indicação de nome, mesmo cinco meses depois de a resolução entrar em vigor. Para o TSE, a prática contraria a norma eleitoral e pode influenciar o eleitor que recorre a um chatbot para decidir o voto em outubro.

O que a OpenAI disse ao tribunal

Procurada pelo TSE, a OpenAI afirmou que valoriza o diálogo com a Corte eleitoral e disse que vai trabalhar em estreita colaboração e de forma construtiva com o tribunal, segundo O Globo. As plataformas informaram à Justiça Eleitoral que já revisam as salvaguardas técnicas dos seus sistemas para impedir que os modelos indiquem preferência de voto.

A reportagem não traz declarações específicas de Meta e X, mas as duas empresas participaram dos encontros ao lado da OpenAI e receberam a mesma cobrança do tribunal para ajustar o comportamento de seus sistemas de IA antes da votação.

Nova rodada de testes já está em andamento

O TSE informou que representantes do ITS Rio e da Procuradoria Eleitoral vão se reunir novamente com as plataformas nas próximas semanas. Uma nova rodada de coleta de dados sobre as respostas dos chatbots já foi iniciada, para verificar se as empresas corrigiram o comportamento apontado pela pesquisa.

O caso expõe a distância entre a regra publicada em março e o que acontece na prática: passados cinco meses da resolução, sete das principais ferramentas de IA usadas por brasileiros ainda indicavam nomes à Presidência quando perguntadas, segundo o levantamento que levou o TSE a convocar OpenAI, Meta e X.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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