terça-feira, 15 de setembro de 2026 · Edição diária

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Trump chama críticos da IA de forças negativas e rejeita freio

Em campo de golfe na Irlanda, o presidente dos EUA comparou alertas de pesquisadores a cenários que não vão acontecer e defendeu ritmo acelerado para manter a liderança americana sobre a China.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Donald Trump rejeitou pedidos de freio na inteligência artificial e classificou críticos como forças negativas, em declaração neste domingo (13) na Irlanda. Foto: Gage Skidmore / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (13) os críticos da inteligência artificial como "forças muito negativas" que levantam cenários que, segundo ele, não vão acontecer. Em declaração a jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda, Trump defendeu a manutenção do ritmo acelerado do setor para garantir a liderança americana sobre a China.

"Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo. Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer", afirmou Trump ao ser perguntado se a indústria deveria desacelerar ou ser mais regulamentada.

A declaração ocorre em meio a uma semana de alertas públicos sobre riscos existenciais da tecnologia. Dois pesquisadores da Anthropic que deixaram a empresa afirmaram que o avanço rápido dos modelos poderia levar à extinção da humanidade num futuro não muito distante. O debate ganhou ainda mais peso no sábado (12), quando o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um plano em três etapas para desacelerar o desenvolvimento e ganhar tempo para gerir os riscos.

Apoio de rivais e resposta de Washington

A proposta de Amodei recebeu apoio imediato de executivos de grandes empresas de IA, entre eles Elon Musk e Sam Altman, da OpenAI. Em entrevista exibida no domingo no programa Face the Nation, da CBS, Amodei descreveu a competição entre laboratórios americanos e chineses como o "dilema mais difícil" para impor um limite de velocidade ao setor.

O governo Trump, em seu segundo mandato, tem apoiado amplamente as empresas de inteligência artificial. Executivos do setor também têm financiado campanhas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso. O super PAC America PAC, ligado a Musk, já gastou milhões apoiando candidatos republicanos e deve ter papel central na mobilização de eleitores neste outono.

Coordenação internacional sob pressão

Jacob Coxon, um dos pesquisadores da Anthropic que se demitiu e depois emitiu os alertas, pediu coordenação internacional para evitar uma corrida descontrolada com a China. "Sinto que precisamos de coordenação internacional, caso contrário corremos o risco de disputar a mesma corrida com a China, o que pode ser igualmente perigoso", disse Coxon no Meet the Press, da NBC.

Com Trump rejeitando freios e os principais laboratórios americanos divididos entre acelerar e desacelerar, o confronto entre Casa Branca e parte do setor de IA fica explícito. A disputa com a China continua sendo o argumento central do presidente para manter o ritmo, enquanto pesquisadores e alguns CEOs pedem mais tempo para avaliar riscos de perda de controle dos sistemas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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