O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (13) os críticos da inteligência artificial como "forças muito negativas" que levantam cenários que, segundo ele, não vão acontecer. Em declaração a jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda, Trump defendeu a manutenção do ritmo acelerado do setor para garantir a liderança americana sobre a China.
"Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo. Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer", afirmou Trump ao ser perguntado se a indústria deveria desacelerar ou ser mais regulamentada.
A declaração ocorre em meio a uma semana de alertas públicos sobre riscos existenciais da tecnologia. Dois pesquisadores da Anthropic que deixaram a empresa afirmaram que o avanço rápido dos modelos poderia levar à extinção da humanidade num futuro não muito distante. O debate ganhou ainda mais peso no sábado (12), quando o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um plano em três etapas para desacelerar o desenvolvimento e ganhar tempo para gerir os riscos.
Apoio de rivais e resposta de Washington
A proposta de Amodei recebeu apoio imediato de executivos de grandes empresas de IA, entre eles Elon Musk e Sam Altman, da OpenAI. Em entrevista exibida no domingo no programa Face the Nation, da CBS, Amodei descreveu a competição entre laboratórios americanos e chineses como o "dilema mais difícil" para impor um limite de velocidade ao setor.
O governo Trump, em seu segundo mandato, tem apoiado amplamente as empresas de inteligência artificial. Executivos do setor também têm financiado campanhas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso. O super PAC America PAC, ligado a Musk, já gastou milhões apoiando candidatos republicanos e deve ter papel central na mobilização de eleitores neste outono.
Coordenação internacional sob pressão
Jacob Coxon, um dos pesquisadores da Anthropic que se demitiu e depois emitiu os alertas, pediu coordenação internacional para evitar uma corrida descontrolada com a China. "Sinto que precisamos de coordenação internacional, caso contrário corremos o risco de disputar a mesma corrida com a China, o que pode ser igualmente perigoso", disse Coxon no Meet the Press, da NBC.
Com Trump rejeitando freios e os principais laboratórios americanos divididos entre acelerar e desacelerar, o confronto entre Casa Branca e parte do setor de IA fica explícito. A disputa com a China continua sendo o argumento central do presidente para manter o ritmo, enquanto pesquisadores e alguns CEOs pedem mais tempo para avaliar riscos de perda de controle dos sistemas.



